Depois que Juliana se acalmou, ela soltou o corpo dele e virou-se para o lado em silêncio. A distância sutil entre os dois na cama pareceu subitamente enorme.
Nicola peemaneceu sentado os olhos fixos no teto escuro do quarto, enquanto a tempestade lá fora encontrava eco na confusão de sua mente. Ele tentou buscar abrigo na razão. Lembrou-se de Caterina. Afinal, havia escolhido Caterina por ela ser o mais próximo da mulher perfeita para a sua vida: encaixavam-se perfeitamente no meio social, compartilhavam os mesmos gostos refinados e tinham uma química impecável entre quatro paredes. Ele estava na idade exata de construir um lar, e Caterina era sua escolha desde a primeira vez que a viu.
Incomodado com a própria inquietação, Nicola virou o rosto para observar a mulher que dormia, ou fingia dormir ao seu lado. Juliana era forte, sincera e carregava nas costas uma responsabilidade grande demais para a sua idade. Em silêncio, ele a admirou. O aroma suave de shampoo florido emanava de seus cabelos, impregnando o ar ao redor. Ele sentiu uma vontade avassaladora de se virar completamente, de contornar os traços delicados do rosto dela com os dedos, mas se conteve. A lembrança do corpo macio dela pressionando seu corpo minutos atrás fez seu sangue pulsar mais rápido. A ereção dolorida retornava, acompanhada pelo desejo visceral de puxá-la para perto e deslizar as mãos por cada centímetro daquela pele quente.
Para se proteger de si mesmo, Nicola virou-se para o lado oposto, dando-lhe as costas. Em um gesto involuntário puxou a coberta. Sentiu os pequenos movimentos de Juliana se ajeitando sob o tecido e, depois, restou apenas o som pesado da chuva batendo contra as janelas e o vento uivando na penumbra.
O tempo passava de pressa para o relógio, mas devagar para o seu corpo. O sono não vinha. Consciente de cada milímetro da presença feminina ao seu lado, Nicola sentia o coração martelar no peito. A tentação o devorava: a vontade irresistível de se virar, colar seu peito nas costas dela e saborear novamente aqueles lábios carnosos que o haviam fascinado desde o primeiro instante em que a viu.
— Porra. assim não dá..
Praguejou em um sussurro imperceptível, travando uma batalha dura contra seus próprios instintos.
Tentou racionalizar. Dizia a si mesmo que era algo biológico, uma atração física inevitável entre um homem e uma mulher trancados no mesmo quarto. Tinha suas necessidades sexuais, só isso. Bastava ignorar o impulso até o amanhecer, quando a luz do dia traria a razão de volta e tudo retornaria ao normal.
Juliana se remexeu na cama, soltando um suspiro baixinho que denunciava sua insônia. Encolheu-se sob os lençóis, buscando um calor que não encontrava, e murmurou com a voz embargada pelo frio:
— Está chovendo bastante...
Nicola travou a respiração por um segundo antes de responder, mantendo o tom controlado:
— Eu sei.


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