O quarto não era apenas espaçoso; tinha dimensões quase aristocráticas, dominado por uma cama de casal tão suntuosa que mais parecia um campo de futebol revestido em fios de algodão egípcio. Nicola cruzou a porta com a rigidez de um soldado marchando em direção a uma mina terrestre. O plano do namoro de mentira parecia genial no papel, mas compartilhar um cômodo e a mesma área de dormir com Juliana transformava aquela noite em um verdadeiro teste de sobrevivência moral.
Juliana, por sua vez, era o próprio retrato do colapso nervoso iminente. Ela estava em um combate interno de duas frentes: de um lado, o terror visceral da tempestade épica que desabava lá fora, com raios que pareciam querer rachar a estrutura da mansão; do outro, a tensão de dividir o mesmo metro quadrado com o homem que vinha bagunçando seus pensamentos.
Antes que Nicola pudesse articular qualquer frase diplomática para suavizar o clima, o celular em seu bolso vibrou com a insistência de um alarme de incêndio. Juliana nem precisou olhar para a tela; a expressão de preocupação solene de Nicola já entregava que era Caterina, cobrando atenção e reivindicando a presença dele aquela noite.
Ele atendeu, mantendo a voz mais neutra possível:
— Amor, me perdoe, sem chance hoje. O céu está literalmente desabando, não dá para colocar a cabeça fora de casa. Amanhã nos vemos.
Do outro lado da linha, veio um resmungo agudo e incompreensível, seguido pelo estalo seco do desligamento na sua cara.
Juliana aproveitou o gancho dramático para escapar estrategicamente em direção ao banheiro, almejando um banho quente para derreter a ansiedade. Nicola permaneceu no quarto, encarando as paredes e questionando todas as escolhas de vida que o levaram até ali.
Vinte minutos se passaram até a porta do banheiro se abrir em meio a uma nuvem de vapor. Juliana emergiu usando a camisola de seda que a mãe de Nicola em um ato de pura bondade materna combinada com um humor sádico involuntário havia providenciado para a hóspede. O único detalhe técnico era o tamanho: a peça parecia ter sido desenhada para alguém significativamente menor, resultando em um modelo extremamente curto, fluido e Perigosamente sensual.


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