Exatamente um mês depois, as luzes frias e o cheiro antisséptico do mesmo hospital voltavam a acolhê-los. Antonella estava na mesa de cirurgia, prestes a dar à luz a pequena Ginevra. No comando, a Dra. Elena mantinha a mesma postura firme e serena de sempre, guiando a equipe com precisão cirúrgica.
Ao lado da cabeceira, Enzo segurava a mão de Antonella como se aquela fizesse o papel de sua própria âncora no mundo. Do outro lado da porta, na sala de espera, a família Mancini aguardava em um silêncio tenso, contando cada segundo.
Ginevra estava prestes a chegar.
Por mais que a expectativa e o fascínio inflassem o peito de Enzo, um pavor paralisante tomava conta de suas entranhas. Era aquele medo visceral e avassalador que só existe quando se ama alguém além da conta, o pavor soturno de que o destino, cruel como às vezes é, decidisse roubar sua felicidade no último instante. Ele apertava os dedos de Antonella com força quase desesperada, o coração martelando contra as costelas enquanto os monitores cardíacos apitavam no ritmo de sua própria ansiedade.
Até que o som seco de um choro agudo rasgou o ar da sala de parto.
— Nasceu. É uma menina linda e saudável.
Anunciou a Dra. Elena, quebrando a tensão com um sorriso contido.
Naquele exato milissegundo, o universo girou em seu eixo. Enzo tornava-se pai. Antonella tornava-se mãe.
Exausta, mas radiante, Antonella virou o rosto em sua direção. Seus olhos marejados buscaram os dele e, de imediato, ela leu a sombra de pânico que ainda congelava o olhar do marido. Era o mesmo fantasma do passado, a lembrança dolorosa de quando as circunstâncias e outra mulher o impediram de carregar um filho nos braços, deixando uma ferida que ele julgava incurável.
— Nossa princesa nasceu, Enzo...
Sussurrou ela, a voz frágil, pronunciando o nome dele como uma prece de cura.
A enfermeira se aproximou devagar, limpando a recém-nascida e embrulhando-a em um manto aquecido antes de estendê-la na direção dele. Antonella desabou em um choro silencioso e emocionante.

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