O plano original era um parto normal perfeito, repetindo o sucesso da gestação de Henrico, cuja recuperação fora rápida. Mas a teoria, na prática, é um detalhe insignificante.
Já na sala de parto, o cenário era de puro caos dramático.
— Dra. Elena...
Gemeu Zoe entre dentes.
— É muito tarde para me arrepender dessa palhaçada de parto natural? AIIII!
A Dra. Elena, com a calma de um monge budista, ajustou as luvas:
— Minha querida, a bebê decidiu vir ao mundo e não aceita cancelamentos. Se acalme, vai dar tudo certo.
Henry entrou na sala parecendo um astronauta paramentado, parando ao lado da cabeceira.
— Você vai assistir mesmo a isso?
Questionou Zoe, encarando-o com os olhos semicerrados.
— Claro! Não perderia por nada o nascimento da nossa princesinha! Perdi o parto do Henrico, mas dessa vez quero está ao seu lado.
Outro grito ensurdecedor de Zoe ecoou pela sala, fazendo até os aparelhos parecerem apitar mais rápido.
— Doutora, eu não aguento mais! Tira essa menina de mim agora!
— Na próxima contração, faça o máximo de força que conseguir.
Orientou a médica.
— Empurre!
Henry segurou a mão da esposa, num gesto que pretendia ser romântico. Quando a onda de dor veio, Zoe espremeu a mão dele com a força de uma prensa hidráulica e empurrou com todo o seu ser, sentindo que seu corpo estava literalmente se dividindo ao meio.
— Meu Deus... Eu não vou conseguir! Chega! Eu exijo uma cesariana, doutora! Agora!
— Senhora Salvattore, você é forte, já está quase lá!
Incentivou a médica.
— A cabeça já apontou!
— Henry, eu vou morrer!
Zoe começou a chorar de dor e exaustão.
— Eu não tenho mais força!
— Vai conseguir sim, amor! Você é uma Salvattore! A mulher mais forte que já conheci depois da minha mãe! Você vai trazer a nossa princesa ao mundo!
A menção da força que ela não tinha nesse momento no meio do trabalho de parto foi a gota d'água. Zoe olhou para ele com puro fogo nos olhos:
— Você fala isso porque não é o seu corpo que está rasgando ao meio, seu cachorro! Você me paga por ter colocado esse bebê dentro de mim! AHHHHHHH!
— Desculpa, amor!
Rebateu Henry, tentando massagear a própria mão esmagada.
— Mas aquela noite foi incrível! Você devia agradecer por não terem vindo três!

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