Os três meses seguintes passaram para Nicola com a velocidade de uma tartaruga manca subindo uma ladeira em dia de chuva. A pressão de Caterina por mais atenção escalou a níveis quase insuportáveis. Julgando-se um monstro de insensibilidade, Nicola cometeu o erro tático de ceder: os encontros na novíssima e luxuosa cobertura dela tornaram-se mais frequentes e acalorados. O problema era o pós-créditos. Toda vez que o ato terminava, o tédio e o vazio o invadiam como uma ressaca moral imediata.
Por outro lado, o cenário com Juliana não era nada melhor. Conviver com a falsa namorada havia se tornado uma doce tortura medieval. O perfume, o sorriso e a simples presença dela não eram mais um disfarce útil; haviam se transformado na sua maior obsessão. Nicola estava oficialmente encurralado entre o tédio de um lado e o desejo proibido do outro.
Enquanto isso, no núcleo da família Salvattore, a gestação de Zoe finalmente atingira a marca dos nove meses.
Naquela tarde ensolarada, Zoe mantinha uma conversa perfeitamente banal com o marido, Henry, acomodada no sofá da imponente sala da mansão Salvattore. Tudo ia bem até ela tentar se levantar. No segundo em que ficou de pé, uma pequena cachoeira particular resolveu se libertar entre suas pernas.
Henry, paralisado, encarou o chão com a expressão de quem via um portal alienígena se abrir na sala:
— Amor... que água é essa? Você deixou cair o vaso?
Zoe olhou para a poça, depois para o marido, e suspirou:
— Acho que a Giovanna cansou do aluguel e resolveu despejar a si mesma...
O pânico atingiu Henry como um soco.
— Não! Não é a hora! Falta uma semana no calendário! Amor, não entre em pânico!
Gritou ele, visivelmente mais em pânico do que ela.
— Fique calma, vou ligar para o resgate, para a polícia, para os bombeiros!
— Henry! A bolsa estourou!
Interrompeu Zoe, mantendo um pingo de lucidez.
— Me leve de carro agora, a ambulância vai demorar um século. Pede para a minha mãe pegar a mala da maternidade no quarto rosa!
— Certo, plano em ação!
Henry parecia um recruta desesperado.
Depois de gritar para a sogra, dona Laura, assumir o comando da casa e cuidar do pequeno Henrico, Henry praticamente arrastou a mala com uma mão e carregou Zoe nos braços até o SUV. Ele não dirigiu até o hospital; ele pilotou como se estivesse na Fórmula 1, desviando de buracos enquanto Zoe, no banco do passageiro, começava a demonstrar que o amor conjugal tem limites bem claros quando a dor de parto se estabelece.
— AIII! Nossa... isso dói como o inferno!

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