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Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento! romance Capítulo 2

Foi somente naquela noite que ela, pela primeira vez, enxergou em seus olhos uma emoção tão vívida e genuína.

Afinal, ele também possuía um lado tão expressivo.

Será que Pedro só se casou com ela porque...

— Srta. Ramos, a sua surdez no ouvido esquerdo é congênita?

O médico olhou para a mulher bonita, coberta de fuligem e visivelmente assustada na maca, com um tom de preocupação.

— Sofri um acidente de carro há alguns anos. — respondeu Catarina, voltando a si e baixando o olhar.

Naquele acidente, ela havia salvado Pedro, tornando-se sua salvadora.

Contudo, havia arruinado completamente a carreira que tanto amava.

O ouvido esquerdo surdo e os zumbidos que irrompiam de vez em quando a impediam de trabalhar com a precisão exigida na interpretação simultânea.

Ela sofria, mas não sentia arrependimento ou rancor.

Salvar uma vida fora o seu instinto.

Mesmo que pudesse voltar no tempo, antes que seu cérebro pudesse ponderar as consequências, seu corpo o empurraria para longe do perigo sem a menor hesitação...

— Entendo... — lamentou o médico.

A mulher à sua frente era de fato deslumbrante, a pele pálida e fria contrastava com os longos cabelos negros, olhos brilhantes, nariz empinado e lábios macios.

Sentada ali quieta, com a postura ereta e roupas simples, ela exalava uma aura de elegância gélida que prendia a atenção de qualquer um.

Realmente, quando Deus abre uma porta, Ele fecha uma janela.

— Srta. Ramos, os resultados dos exames saíram. Embora os seus pulmões não tenham sofrido danos graves pela fumaça, os ferimentos externos são bastante sérios, e você tem uma leve concussão...

— E a sua família? Ainda não chegaram?

— Obrigada, doutor. Vou entrar em contato com eles agora. — disse Catarina após um breve silêncio.

Ela pegou o celular, cuja tela estilhaçada mal conseguia emitir um fraco brilho.

A lista de notificações de chamadas estava completamente vazia.

Já haviam se passado três horas desde que ela havia deixado mais de dez ligações perdidas para Pedro, e ele não havia retornado nenhuma sequer.

— Cada um destes cheques é no valor de quinhentos mil reais, um gesto de generosidade da Srta. Santos. Em troca, vocês só precisam fazer um pequeno favor para ela.

Os seguranças acompanharam suas palavras, sacando contratos e caminhando de cama em cama.

— É só assinar, e os quinhentos mil são de vocês.

Ao ouvirem "quinhentos mil", os olhos de alguns se iluminaram, após confirmarem a veracidade dos cheques, assinaram felizes da vida, sem hesitar.

— Essa Srta. Santos de quem você fala é aquela mulher arrogante que estava desrespeitando a polícia na frente do incêndio, não é? Acha que quinhentos mil vão nos comprar? Nem pensar! Uma pessoa dessas tem que ir para a cadeia! — protestou alguém com indignação.

— Se você não conhece a Srta. Santos, com certeza deve conhecer o Sr. Valente, não é? — zombou o homem de terno, com um sorriso debochado ao ouvir aquilo.

Catarina estava deitada na cama mais ao fundo, no momento em que ouviu aquilo, um cheque foi enfiado na palma de sua mão.

Ela baixou os olhos para ver a conta emissora no cheque, e seus dedos se fecharam abruptamente, deixando os nós brancos.

Era a conta de Pedro.

A voz do homem continuou, carregada de uma ameaça declarada:

— A Srta. Santos é a esposa do Sr. Valente. Ele a mima como se fosse a própria vida, não é o tipo de pessoa que vocês deveriam provocar! É melhor assinarem o acordo, pegarem o dinheiro e ficarem calados, antes que as coisas fiquem feias para vocês!

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