Catarina encarou o rosto sereno e quase indiferente de Pedro, e seu coração doeu com força de repente.
Será que ele não se importava, mesmo depois de ela lhe dar um tapa?
Por mais longe que ela fosse, ele não ligaria?
Pedro estendeu a mão mais uma vez e, quando Catarina tentou afastá-la, ele agarrou os seus pulsos.
— Você bateu para valer, hein?
Assim que as palavras saíram, ele puxou-a suavemente para os seus braços, cobrindo-lhe a testa com a palma quente, a ponta dos dedos tocou a pele dela, transmitindo uma temperatura refrescante.
— Tem certeza de que não está se sentindo mal em algum lugar?
A voz de Pedro soava grave e gentil, como se acalmasse uma criança.
Involuntariamente, Catarina fechou os olhos e respirou fundo.
Um perfume intensamente doce e repentino invadiu o seu nariz, era a mais recente fragrância feminina do mercado.
A imagem de Pedro carregando aquela mulher nos braços lampejou em sua mente com uma clareza ofuscante.
Catarina prendeu a respiração e empurrou as mãos dele com toda a força.
— Não toque em mim!
Ela se esquivou com ferocidade, com um tom abafado, nada parecido com uma brincadeira.
Contudo, Pedro não conseguiu distinguir a tristeza contida na voz dela e deu uma risada leve:
— Quanta crueldade.
Ele serviu um copo de água e aproximou dos lábios de Catarina:
— O Congresso de Inovação Colaborativa ainda não acabou, então ficarei ocupado por mais alguns dias. Você sempre quis ir àquela ilha, não é? Quando eu terminar, te levo lá.
Catarina recusou o copo, ficando imóvel e apenas fitando o homem diante de sua cama.
— Pedro, você não tem nada a me dizer?
Com as cortinas fechadas, os cílios trêmulos dela escondiam-se na penumbra, tornando a sua expressão indecifrável.
Por mais lento que ele pudesse ser, percebeu que havia algo de errado com ela.
Lembrando-se daquelas dezenas de ligações perdidas, ele desfez o sorriso, e a sua voz ficou rouca e suave, com total sinceridade:
— O chefe mais bonitão e maneiro do mundo está ligando, atenda rápido!
A voz feminina dengosa cantava um pouco fora do tom, era claramente um toque exclusivo gravado de propósito.
O rosto de Catarina escureceu na hora, e as pontas de seus dedos apertaram-se rigidamente.
Pego de surpresa, Pedro congelou por um instante, mas logo arrastou o dedo pela tela para atender.
A voz do outro lado começou imediatamente a resmungar com choro, mesmo sem o viva-voz ativado, o tom agudo e choramingoso adentrava os ouvidos de Catarina sem cerimônia.
— Pedro! O que eu faço? A polícia está atrás de mim de novo! Eles estão me maltratando!
Instintivamente, Pedro se virou de costas para Catarina, e sua voz se abrandou num reconforto puramente gentil: — Acalme-se, você entregou as indenizações conforme combinamos?
— Buaaa, eu fiz o que me pediu! Ontem à noite fui pessoalmente pedir desculpas e pagar um por um, mas teve uma mulher que simplesmente não largou do meu pé! Com certeza ela achou quinhentos mil muito pouco e quer aproveitar para me extorquir! Que mulher sem coração!
— Não se preocupe. — A voz de Pedro era firme e grave, transmitindo uma força reconfortante. — Deixe isso comigo, eu vou resolver...
Catarina observou as costas largas dele, o modo como ele sussurrava para acalmá-la, tomando as dores para si com tamanha naturalidade, a sua habilidade em resolver aqueles problemas sem esforço feria o coração dela a cada aperto.
Subitamente, ela sentiu uma vontade inexplicável de saber como ele resolveria tudo aquilo.

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