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Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento! romance Capítulo 1

O clarão do fogo tingia o céu noturno de vermelho, enquanto densas colunas de fumaça escura se erguiam.

Catarina Ramos foi colocada na ambulância, ofegando pesadamente, com o peito ardendo em dor.

Ela usou todas as suas forças para pressionar, trêmula, o celular com a tela estilhaçada contra a orelha.

— Tu...

— Tu...

Ninguém atendeu.

O medo da morte e a dor excruciante que irradiava por todo o seu corpo a faziam tremer incontrolavelmente.

No segundo seguinte, uma voz masculina, familiar e suave, soou.

— Não tenha medo, eu cheguei.

Mas não vinha do celular, e sim...

Através da multidão agitada e caótica de curiosos, sob as luzes das sirenes piscando freneticamente na noite num jogo de luz e sombras, a figura alta e esguia de um homem se aproximava passo a passo.

Pedro Valente devia ter vindo às pressas do evento, vestindo um terno de alta costura escuro que exalava uma aura fria e distante, destoando completamente do tumulto ao redor.

Ele tinha feições marcantes e seus olhos, normalmente nobres e distantes, agora estavam fixos, parecendo tão tenso pela primeira vez.

Os nervos de Catarina, que estavam tensos a ponto de adormecerem, finalmente cederam de vez no momento em que ela viu Pedro.

O medo acumulado da quase morte no incêndio e a angústia misturaram-se, transbordando em lágrimas.

Coincidentemente, o médico perguntou: — Você conseguiu contatar algum familiar?

— Sim, meu marido...

Catarina mal abriu a boca, quando uma outra voz feminina, doce e aguda, soou de repente.

— Pedro, você finalmente chegou, eles todos estão me maltratando!

A mulher correu e se atirou nos braços do homem, seu moletom unissex largo deixava um dos ombros brancos à mostra.

Ela inflou as bochechas e deu um soquinho em Pedro, parecendo indignada, mas com uma voz melosa:

— Ei! Pedro, você me considera sua amiga ou não? Como pôde demorar tanto? Eu quase morri de tanto me humilharem!

O olhar de Pedro pousou sobre ela e, como se confirmasse que estava ilesa, sua testa relaxou.

Ele tirou o paletó, cobriu os ombros da garota e deu um leve sorriso, revelando um tom de mimo:

— Comigo aqui, ninguém ousa te maltratar.

No instante em que as portas da ambulância se fechavam, Pedro virou-se exatamente na direção apontada por seu assistente, Celso Dantas.

— Pá —

As portas se fecharam, cortando a sua visão.

...

Qual seria a relação daquela mulher que causou o incêndio com Pedro?

Catarina deitou na cama do hospital, e sua mente reprisava incessantemente a imagem de Pedro abraçando a desconhecida.

O jeito como ele a olhou era tão gentil e brilhante, quase um favoritismo e um dengo descarados...

Em três anos de casamento, Pedro sempre a tratou com extremo cuidado e atenção, providenciando tudo de maneira impecável.

Após o casamento, ele nunca a deixou tocar nas tarefas domésticas, como ela não se sentia à vontade com empregadas, ele mesmo tomava conta de tudo.

Financeiramente, ele tinha pavor de que algo lhe faltasse, quisesse ela ou não, o closet vivia repleto das últimas bolsas de grife, e os diversos cartões black nunca tiveram limite de gastos.

Mas quanto mais irretocável ele era, mais inalcançável Catarina o sentia em seu coração.

Ele era perfeito demais, tão perfeito que parecia uma peça de teatro meticulosamente ensaiada, e ele estava apenas interpretando diligentemente o papel de marido.

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