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Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento! romance Capítulo 7

— Quem é você? Ficou doida?

Júlia virou-se e encarou a mulher que acabava de invadir, gritando insultos a plenos pulmões.

Nem se deu conta de que os dois homens, que até instantes atrás riam descontrolados a seu lado, arregalaram os olhos numa palidez constrangida.

Yuri Soares e Vitor Dias pularam de pé instantaneamente, as pernas das cadeiras rasparam no chão, ecoando um ruído de rachar os ouvidos.

— C-cunhada, por que você não avisou que viria...?

— Se eu avisasse antes, como ouviria as mentiras nojentas que vocês inventam nas minhas costas? — disse Catarina com o olhar gélido.

— Catarina!

Uma repreensão profunda e insatisfeita soou.

Pedro estava recostado no sofá mais ao fundo, a sua camisa branca sem gravata tinha os botões do colarinho folgadamente desabotoados, exibindo uma clavícula delicada.

Ele parecia ter bebido, a linha d'água de seus olhos estava avermelhada, o cabelo geralmente imaculado jazia rebelde, deixando vazar uma indolência lânguida que era o extremo oposto do temperamento elegante que costumava manter.

No momento em que encontrou o olhar dele, Catarina travou subitamente, o sangue que ainda fervia há pouco de súbito se esfriou.

Ela jamais poderia imaginar que Pedro também estava lá!

Ela sempre foi capaz de sentir que aqueles amigos próximos de Pedro abrigavam uma inimizade inexplicável por ela.

No dia do casamento deles, pelo mero fato de um deles ter soltado um comentário desrespeitoso, Pedro fechou a cara na mesma hora e passou três anos sem trocar uma palavra com qualquer um deles.

Como ele poderia simplesmente assistir a tudo com um silêncio alheio, sem derramar uma gota de reação diante de seus xingamentos descarados e escárnio impiedoso?!

Júlia se aproximou, medindo Catarina de cima a baixo em assombro:

— Cunhada? Pedro, é ela a sua esposa?

Pedro apenas soltou um breve murmúrio afirmativo, ficando de pé logo a seguir, caminhando na direção de Catarina e estendendo a mão para tentar abraçá-la:

— Como soube que eu estava aqui?

Catarina esquivou-se dele e repreendeu as chamas que devoravam as suas emoções, dizendo secamente:

— A churrascaria estava procurando encomendar umas línguas bovinas, me avisaram que tinha algumas línguas grandes sobrando por aqui, então eu vim ver pessoalmente!

Yuri e Vitor empalideceram ao ouvir aquelas palavras, dizendo rapidamente:

— Desculpe, cunhada... Não fazíamos ideia de que você viria, só queríamos soltar umas brincadeiras, não queríamos machucá-la.

— Brincadeiras? Acha que foi engraçado? — retrucou Catarina, fulminando-os com os olhos.

O ambiente no camarote desmoronou vertiginosamente sob uma nuvem carregada de tensão.

Pedro estremeceu a sobrancelha. As réstias do álcool obscureciam o seu semblante exausto numa faceta pesada e melancólica:

— Eles não tiveram más intenções, são todos amigos, evite causar escândalo. Se você odeia estar perto deles, pare de vê-los e o problema estará resolvido.

Júlia emendou na mesma hora: — É claro! O corpo é nosso e temos direito de dizer o que bem entendermos! Se não consegue suportar meia dúzia de piadas, por que se esconde à beira do camarote para nos ouvir? Não é você que vai colher a própria miséria?

Quanto mais esbravejava, mais ousada se tornava, ela passara longe de reconhecer qualquer sombra de valor em Catarina.

Contra alguém com moral deturpada e os propósitos distorcidos como Júlia, Catarina já não enxergava sentido algum em trocar palavras, nem dispunha da decência de nutrir mais encrenca infrutífera.

Ela dirigiu-se puramente a Pedro, domando a voz a muito custo para que não denunciasse o quão trêmula estava: — Você concorda com eles?

Pedro se atordoou com a incerteza: — Como assim?

Pela tela fragmentada em seu celular, vibrações persistentes bombardeavam as chamadas sucessivas sem dó nem piedade.

Catarina mediu os rastros do rosto à sua frente, submersa em uma sensação imensa de estranhamento — como se os anos que construíram tivessem sido uma amnésia brutal e nunca o tivesse chegado a conhecer de verdade.

— Pedro, quero o divórcio.

Os olhos de escuridão profunda do marido permaneceram congelados na apatia: — A Júlia sempre foi muito espontânea e relaxada, não a leve tão a sério.

Ela segurou as lágrimas, soltou um leve muxoxo de deboche, não lhe deu um mísero olhar e varreu o próprio corpo para o outro lado, apressando os passos para ir embora.

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