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Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento! romance Capítulo 6

Em pouco tempo, a ligação de Pedro terminou, e ele retornou para a beira da cama.

— Quem era? — perguntou Catarina, fitando-o.

— Uma amiga. — disse Pedro, com o olhar vacilante.

Ele pausou, para em seguida completar:

— Ela acabou de voltar de fora do país, em breve terei a oportunidade de lhes apresentar. Continue dormindo mais um pouco, eu vou cuidar de umas coisas.

Dito isso, ele se virou, saindo apressadamente do quarto.

Ao passar pelo banheiro, o olhar de Pedro foi subitamente atraído por algo, e ele franziu o cenho:

— Por que você jogou as suas roupas fora? Não gostou delas?

Quando ele se preparava para recolhê-las e decorar o modelo, o toque de celular excêntrico tocou novamente.

Pedro atendeu no mesmo instante: — Não tenha medo, chego num instante, eles não terão coragem de encostar um dedo em você...

Falando dessa forma, ele quase já havia alcançado a porta do quarto quando parou subitamente e deu uma espiada para trás, notando Catarina imóvel na cama, um resquício de perturbação piscou nos seus olhos.

Na noite passada, o coração dele havia ficado por um fio quando Celso Dantas comentou que parecia ter visto a esposa em uma ambulância.

Ainda bem que o Celso havia se enganado.

Ali estava ela, perfeitamente bem.

...

Catarina foi bombardeada por telefonemas ininterruptos do primo e da mãe.

Tocavam sem parar, parecendo decididos a nunca desistir até conseguirem o que queriam.

Ela respirou fundo e atendeu.

Antes mesmo que dissesse alô, o outro lado foi preenchido pelos choros escandalosos de uma mulher de meia-idade, o seu primo interveio a seguir, com um pânico exagerado na voz:

— Tia! Tia, o que aconteceu?!

E sem mais delongas, gritaram um endereço e desligaram o telefone rudemente.

— Vocês disseram que, se passassem muito tempo solteiros, você e o Pedro deveriam ficar juntos de uma vez, já que seriam amigos para sempre... Ah, se ao menos fosse uma mulher decente! O Pedro é tão incrível, por que ele foi casar com uma surda?

Algumas outras vozes masculinas intervieram, Catarina reconheceu-os como os antigos amigos de universidade que iniciaram a empresa com ele.

— Júlia, as coisas seriam tão diferentes se você não tivesse saído do país... Só você conseguia colocar coleira no Pedro. Se você estivesse aqui, ele jamais teria se casado com aquela surda!

— É verdade! Ele sofreu aquele acidente de carro no dia em que encheu a cara porque você foi embora sem se despedir... Pensando bem, sempre teve algo de mal contado nessa história...

Júlia captou o tom suspeito e perguntou: — Mal contado? O quê?

— Pense bem, quem saiu ganhando mais com aquele acidente de carro?

— A mulher era tradutora ou coisa assim, não era? Eu ouvi falar que ela teve que largar o emprego depois que ficou surda. Ha ha, quanto ela poderia tirar num mês? Trocar a audição por um casamento com o Pedro e uma vida mansa e confortável, o negócio foi lucroso demais para ela!

Júlia arregalou os olhos num piscar de mágica e bradou furiosa: — O quê? Estão me dizendo que o Pedro sofreu uma extorsão dela e foi obrigado a casar?!

Catarina cerrou os punhos com força, o sangue ferveu subindo-lhe à cabeça, e as suas têmporas começaram a latejar com força.

Ela ergueu a perna e escancarou a porta do camarote com um chute.

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