Catarina teve uma noite de sono muito agitada.
Um sonho longo e contínuo.
Nele, em um cenário cinzento, o rosto de Pedro estava escondido sob grossas camadas de névoa. Ela não conseguia ver sua expressão, mas podia sentir aqueles olhos negros a perfurarem através da fumaça.
Ao despertar, a manhã começava a nascer.
Catarina pegou o celular. Pedro ainda não a havia respondido.
Em contrapartida, Yuri Soares e Vitor Dias tinham feito novas postagens em suas redes sociais.
No vídeo, sob uma iluminação turva e romântica, Júlia Santos, com as bochechas coradas, vestia folgadamente um largo terno masculino enquanto descansava profundamente, aconchegada ao corpo de um homem esguio e alto.
Mesmo sem o rosto aparecer, Catarina reconheceu na hora de quem era aquela silhueta: Pedro.
A legenda dizia: "Certa pessoa ainda é igual a como era antes, não aguenta bebida mas quer pagar de forte."
Catarina desligou o aparelho.
Saiu da cama, vestiu-se adequadamente e reuniu todos os documentos que poderia precisar para a entrevista.
Às oito e meia, ela chegou à embaixada em ponto.
O procedimento correu suavemente, e o agente lhe estendeu a mão ao terminar, com um sorriso de admiração:
— Meus parabéns, senhora. Desejo-lhe uma boa viagem e que tudo lhe corra da melhor forma quando chegar aos Estados Unidos em dez dias.
Catarina apertou sua mão e agradeceu.
Mesmo apressando o passo ao máximo após sair de lá, já passava das dez e três quando ela chegou à porta do Cartório de Registro Civil.
Eram só três minutos, Pedro provavelmente ainda estaria por perto.
Sem tempo sequer para tomar fôlego, Catarina empurrou a porta de vidro com força.
O salão de recepção estava completamente vazio.
Franzindo a testa, ela olhou ao redor mais uma vez e ligou para Pedro quando não encontrou ninguém.
Dessa vez, a ligação foi atendida de imediato.
— Pedro! — Catarina exclamou num tom gélido, controlando a indignação. — Onde você está?
Pela linha, Pedro soava ironicamente divertido:
— Você se atrasa, Srta. Ramos, e ainda vem me cobrar?
Catarina fechou as mãos em punhos, esgotando sua paciência:
— Mesmo se você saísse no exato minuto em que deu o horário, levaria mais tempo do que isso! Pedro, confesse, você nem se deu ao trabalho de vir. Estava de brincadeira com a minha cara?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Naquele Incêndio, Eu Enterrei Meu Casamento!