— Eu não estava brincando, Celso. Você pode avisá-lo que, como a saúde da vovó já melhorou, não há por que continuarmos desperdiçando nosso tempo assim.
— Quando ele puder, que me avise, e iremos ao Cartório de Registro Civil formalizar o divórcio.
O vento frio deixava o rosto de Catarina entorpecido.
Celso Dantas se calou.
Ele não tinha moral para opinar, mas não entendia como duas pessoas que obviamente se amavam haviam chegado àquele ponto.
Mesmo assim, sentiu que devia explicar uma coisa:
— Sra. Valente, é por causa da Srta. Santos? Da última vez foi só um mal-entendido, não aconteceu nada entre ela e o Sr. Valente que ultrapassasse os limites.
Catarina curvou os lábios sutilmente. Parecia menos um deboche e mais um sorriso autodepreciativo.
— Se eu precisasse dar uma desculpa, seria muito simples.
— Eu não o amo mais.
Achava-o imundo.
Se ele havia mesmo tido algo com Júlia Santos já não importava, porque o seu coração já estava sujo.
...
No fone de ouvido de Celso, a respiração ficava cada vez mais pesada, deixando-o tenso.
O celular em seu bolso marcava vinte minutos de ligação.
Depois de um longo silêncio, uma voz finalmente ressoou no fone:
— Avise-a de que a encontrarei amanhã, às dez da manhã, no Cartório de Registro Civil.
E desligou com brutalidade.
...
Celso procurou as palavras por um tempo antes de olhar para Catarina:
— Sra. Valente...
Catarina perguntou calmamente:
— O que ele disse?
Celso sobressaltou-se, tocando o fone de ouvido involuntariamente. Ficou espantado ao perceber que ela sabia.
— O Sr. Valente disse que a espera amanhã às dez da manhã no Cartório de Registro Civil.
— Tudo bem. — Catarina concordou sem pestanejar.
O carro parou. Ela desceu e pegou o metrô sozinha até a Baía Mirante.
Assim que abriu a porta, uma pequena bolinha de pelos redonda e desajeitada se jogou sobre ela.
— Téo...
Catarina se agachou, acariciando a cabecinha dele.

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