Ao receber um aceno de Dona Isabela, o mordomo se aproximou e abriu os portões.
Assim que a porta se abriu, Pedro entrou a passos largos.
Vestia apenas uma camisa preta fina, com as mangas perfeitamente dobradas até os cotovelos. Havia manchas de sangue em seus punhos pálidos, e seus olhos escuros eram como abismos naquele fim de tarde nublado, exalando uma hostilidade que ainda não se dissipara.
Ao cruzar o olhar com o dele, Catarina deu um passo para trás por instinto.
Com o escurecer, qualquer calor do raro sol da tarde havia sumido por completo.
Uma lufada de vento gelado soprou pela porta aberta, fazendo-a tremer até os ossos.
Pedro primeiro fez um leve aceno com a cabeça para Dona Isabela, por educação. No segundo seguinte, avançou, agarrou Catarina sem dizer palavra e a jogou sobre os ombros.
Sem dar a ela a menor chance de resistir, virou-se e começou a marchar para fora.
Dona Isabela tentou intervir por instinto, mas Pedro lhe lançou um olhar gélido.
— Dona Isabela, Catarina é minha esposa.
Apenas quando passaram pelos portões da Mansão Quintino foi que Catarina recobrou os sentidos e começou a se debater freneticamente.
— Me solta! Me põe no chão!
— Pedro, você não sabe o que é respeito?! Ficou louco?!
Ela sentia uma humilhação sem tamanho.
Especialmente por aquilo ter acontecido na frente de Dona Isabela.
Pedro ignorou os socos que ela lhe dava e curvou os lábios em um sorriso cínico:
— O que foi? Tem tanto medo que a Dona Isabela descubra nosso relacionamento?
— Que relacionamento? — Catarina gritou furiosa. — A situação da vovó já se estabilizou. Amanhã mesmo vamos ao Cartório de Registro Civil assinar o divórcio!
Ela o empurrou com força, mas de repente sentiu algo úmido e quente na palma da mão.
Ao olhar para baixo, viu as próprias mãos cobertas de sangue.
O corpo de Catarina endureceu na hora.
A voz gélida de Pedro soou acima de sua cabeça, carregada de uma fúria reprimida:
— Discutimos isso depois que o divórcio sair.
Ele a jogou dentro do carro e bateu a porta com força.
— Dirige.
Celso Dantas sentiu o cheiro forte de sangue e perguntou com cautela:
— Sr. Valente, não seria melhor irmos ao hospital primeiro para cuidar disso?
Pedro soltou uma risada gélida, os olhos fixos em Catarina:
— Catarina, até o Celso pergunta se eu estou bem. Desde aquele momento até agora, você por acaso se importou se eu vivo ou morro?
Catarina não olhou para ele, tampouco respondeu.
A falta absoluta de reação fez o semblante de Pedro escurecer cada vez mais.

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