Ao desligar o telefone, Pedro só então notou que Catarina havia se sentado novamente no banco de trás, e deu um sorriso de resignação.
— Catarina, você está livre na semana que vem?
Catarina respondeu de forma categórica:
— Não.
Pedro franziu de leve as sobrancelhas:
— O que você tem para fazer?
— Não é da sua conta.
— Catarina. — A voz dele carregava um traço de exaustão, mas ele manteve o tom sério: — Você realmente precisa falar comigo com essa atitude?
— Não é uma questão de atitude. — Catarina desviou o olhar para a janela e respondeu com frieza: — Eu simplesmente não quero falar com você.
O olhar de Pedro tornou-se pesado. Após alguns segundos de silêncio, ele disse:
— Tudo bem. Então, não tenho escolha a não ser fazer uma exigência baseada nos termos do nosso acordo.
— Na próxima semana, você vai me acompanhar ao banquete da família Quintino.
Catarina soltou uma risada sarcástica e retrucou:
— Por que não leva a sua Sra. Valente? Tem certeza de que quer me levar? Não tem medo de que tirem fotos e postem na internet?
No passado, ele sempre comparecia a esse tipo de evento sozinho, nunca permitindo que ela aparecesse.
Mesmo quando, em raras ocasiões, ele a levava, jamais revelava a sua identidade em público.
Ele usava a bela desculpa de que não queria incomodá-la, de que não suportava vê-la sendo alvo de fofocas.
No entanto, Catarina sabia muito bem no fundo de seu coração que, na verdade, ele só tinha medo das perguntas alheias. Temia que, ao tê-la ao seu lado, bastassem poucas palavras para que as pessoas descobrissem a sua origem humilde e a sua audição prejudicada.
No fim das contas, ele apenas achava que ela não era apresentável o bastante e temia que o fizesse passar vergonha.
Agora que ele já havia escolhido alguém mais do seu agrado, qual era a necessidade de encenar tudo aquilo de novo?
O tom de Pedro não deixava margem para discussões:
— Você é a minha acompanhante; ninguém ousará dizer nada.
— Não dizer na cara não significa que não falarão pelas costas.
— Eu não me importo.
— Mas eu me importo!

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