De repente, as pernas de Júlia cederam e ela quase caiu.
Pedro a amparou pelos ombros a tempo.
— Está tudo bem? Sentiu tontura de novo?
Júlia estava prestes a se aninhar nos braços dele quando o ouviu dizer:
— Celso, leve a Srta. Santos de volta ao hospital.
— Não, não é nada! — Júlia apressou-se em se equilibrar. — Eu vou com vocês!
Ela seguiu o caminho inteiro até a Delegacia de Polícia em estado de torpor, quase como um zumbi.
Contudo, ao ver o homem detido temporariamente na sala de interrogatório, Júlia congelou por completo.
O que estava acontecendo?
Bem quando começava a achar que tinha visto a pessoa errada, o policial apontou para o homem e disse:
— É ele. Estava escondido nos subúrbios desde que fugiu do local do acidente, e nós só conseguimos capturá-lo esta manhã.
O olhar frio e denso de Pedro recaiu sobre o sujeito no mesmo instante.
Júlia já não conseguia ouvir mais nada do que o policial e Pedro discutiam em seguida.
Ela mergulhou em um transe total, com a mente em completo alvoroço, chegando a cogitar uma ideia absurda.
Seria ela, de fato, a escolhida pelos céus?
Caso contrário, por que Deus a favoreceria tanto, permitindo que escapasse ilesa de situações impossíveis repetidas vezes?
Naquele exato momento, o seu celular emitiu um "ding", e uma mensagem de um número desconhecido piscou na tela.
Bastou uma rápida olhada para que as costas de Júlia se cobrissem de um suor frio, e até a ponta de seus dedos começasse a tremer.
[Júlia Santos, como pretende me agradecer?]
Forçando-se a reprimir o turbilhão de emoções em seu peito, ela deu a desculpa de que precisava ir ao banheiro e saiu apressadamente da sala de interrogatório.
Só depois de se esconder em uma cabine, trancar a porta e confirmar que não havia ninguém por perto, é que ela, com os dedos trêmulos, discou para o número misterioso.
A ligação foi atendida rapidamente.
Uma voz masculina soou, acompanhada de uma risada fria que causava calafrios.
— Srta. Santos, há quanto tempo. Como é que, mesmo depois de voltar ao país, você continua agindo de forma tão imprudente?

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