O coração de Givaldo deu um salto no peito.
Ele não imaginava que acabaria sendo descoberto por ela.
Seu olhar escureceu de repente.
Ele abriu a boca, na tentativa de dar alguma desculpa.
Contudo, Franciele não queria olhar para a cara dele nem mais um segundo.
— Dê o fora daqui. Saia do meu quarto agora.
...
No dia seguinte, ela se encontrou com o advogado recomendado pela prima de Paula.
Franciele pediu que ele redigisse um acordo de divórcio o mais rápido possível.
Já que havia colocado as cartas na mesa com Givaldo na noite anterior, não havia mais motivo para adiar a separação.
Se Givaldo era tão perdidamente apaixonado por sua irmã Eliana...
Ela iria facilitar as coisas para os dois.
...
Em um piscar de olhos, chegou a noite do coquetel de comemoração da empresa.
Não apenas a diretoria em peso estava presente, mas também muitos parceiros de negócios importantes haviam comparecido.
Sob o brilho ofuscante dos lustres de cristal, havia um desfile de trajes finos e perfumes marcantes.
Todos estavam vestidos a rigor para a ocasião.
Apenas Franciele optara por um vestido em tons pastéis bem discreto e uma maquiagem suave, claramente com o intuito de não chamar atenção.
— Franciele, por que você não veio com aquele vestido verde-esmeralda incrível?
Paula perguntou, espantada ao vê-la com um visual tão modesto.
Todas as mulheres convidadas para a festa exibiam maquiagens impecáveis e looks glamourosos, competindo entre si na esperança de, quem sabe, conseguir fisgar um dos diretores durante o evento.
E lá estava ela.
Dotada de uma beleza natural exuberante, mas se escondendo por trás de uma aparência tão contida, arriscando-se a ser ofuscada por aquelas peruas da alta sociedade.
— O coquetel é para celebrar as conquistas da empresa, não é o meu aniversário. É melhor manter o perfil baixo — explicou Franciele em um tom tranquilo.
— Mas...
Antes que Paula pudesse retrucar, uma figura alta e imponente cruzou as portas do salão de banquetes.
O homem vestia um terno preto de corte sob medida, que delineava perfeitamente seus ombros largos, o peito firme e as pernas longas.
Ele exalava uma aura misteriosa e inatingível.
Paula alegrou-se por ela:
— Fico feliz em ver que você finalmente decidiu largar aquele traste do Givaldo e recomeçar.
Franciele puxou o ar profundamente:
— Fui eu que demorei muito para acordar.
No passado, ela havia sido ingênua demais, acreditando que as migalhas de afeto que Givaldo lhe dava eram sinônimo de amor.
Mal sabia que o verdadeiro objetivo dele era usá-la como ponte para se aproximar de Eliana, a herdeira da família Duarte.
Foram a carência emocional que a acompanhou desde a infância e a falta de segurança...
Que a fizeram confundir a falsa simpatia de Givaldo com amor genuíno.
Mas aquilo nunca mais aconteceria.
Perdida em seus pensamentos, de repente Paula beliscou forte o seu braço:
— Franciele, o chefão está vindo na sua direção!
Confusa, Franciele virou a cabeça.
E lá estava Nelson, banhado pelas luzes douradas do salão, caminhando em passos firmes e elegantes, diretamente para ela...

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