Franciele visitou outras lojas para acompanhar Paula na escolha do vestido.
Lembrando-se de que seus cosméticos haviam acabado, aproveitou para comprar algumas coisas e levar para casa.
Para sua surpresa, Givaldo já havia chegado.
Ao ver Franciele entrando cheia de sacolas de compras, ele franziu a testa, visivelmente incomodado.
— Sua irmã acabou de receber alta. Como você, sendo a irmã mais nova, não vai à casa da família Duarte para visitá-la, mas tem a audácia de ir fazer compras?
Franciele lançou-lhe um olhar cortante:
— Se você quer tanto ir à casa da família Duarte para vê-la, vá sozinho. Por que precisa me arrastar junto? Ou será que você só quer me usar como um escudo?
— Você...!
Givaldo ficou sem palavras ao ser desmascarado, e seu rosto bonito mudou de cor várias vezes.
Franciele torceu os lábios em sinal de desdém.
Seguiu direto para o próprio quarto.
Ela não achava, nem de longe, que Eliana precisasse de visitas.
Naquele mesmo dia, a “doente” tinha ido até a sua empresa e lhe dado um tapa no rosto. Com toda aquela força, de forma alguma parecia alguém que acabara de sair do hospital.
Estava claro que era apenas Givaldo sentindo uma pena excessiva por ela.
Após entrar no quarto, Franciele começou a tirar os itens das sacolas e a organizá-los um por um.
— Por que você comprou tantas coisas? — questionou Givaldo, surgindo de repente atrás dela.
Aos olhos dele, Franciele sempre fora contida com os gastos, nunca esbanjando dinheiro à toa.
No entanto, naquela noite, agindo de forma atípica, ela havia retornado carregada de sacolas repletas de cosméticos, roupas e um vestido de festa...
Isso o fez levantar suspeitas: será que ela estava tendo um caso com outro homem?
— Não usei o seu dinheiro, então não é da sua conta. — retrucou Franciele, com tom gélido.
Embora fossem casados, nunca dividiram as finanças.
Desde o dia do casamento, ela não havia tocado em um único centavo dele.
Agora que estava usando o próprio salário para comprar algumas roupas e cosméticos, por que aquilo o incomodava tanto?
Havia necessidade daquela reação exagerada?
Franciele gemeu de dor, mas ainda conseguiu cuspir as palavras por entre os dentes cerrados:
— Não... ache... que eu não sei... sobre os seus casinhos com a Eliana...
Ao ouvi-la mencionar o nome de Eliana, a mão dele afrouxou o aperto instintivamente.
— Desde quando você sabe?
O rosto dele assumiu uma expressão complexa e sombria.
Sentimentos conflitantes invadiram o peito dele.
Havia raiva, havia ódio... mas também havia um leve traço de culpa...
No passado, ele acreditava que, ao se casar com Franciele, poderia esconder perfeitamente seus sentimentos por Eliana, de modo que a esposa nunca descobriria.
Mas quem diria que, com apenas um ano de casados, ela já sabia de tudo.
— Quem não quer ser descoberto, que não faça o que não deve.
Franciele riu friamente, seus olhos amendoados cobertos por uma camada de gelo:
— Você está casado comigo há um ano e nunca quis encostar um dedo em mim. Em vez disso, passa todas as noites fazendo aquelas coisas nojentas olhando para a foto da minha irmã. Você acha mesmo que eu sou cega?

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