— Não foi você quem me provocou primeiro?
Franciele rebateu instintivamente:
— Eu te provoquei? De onde você tirou isso?
Quando foi que ela o havia provocado?
Nelson travou seus olhos escuros nela e a acusou, pausadamente:
— Antes, usando a desculpa da sua instabilidade, você sempre me dava indiretas, cobiçando o meu corpo, e eu me segurei. Agora há pouco, você inventou a história de que seu brinco tinha caído no meu carro só para se agachar na minha frente e me provocar, me obrigando a tomar uma atitude...
Franciele quase ficou sem palavras de tanto choque.
Ele a beijou à força e a culpa era dela por tê-lo provocado?
Embora uma parte do que ele disse fosse, de fato, verdade.
Durante seus surtos do passado, ela realmente havia demonstrado desejo pelo corpo dele mais de uma vez.
Mas, dessa vez, o brinco caído no carro era a mais pura verdade.
Como ele tinha a audácia de dizer que ela usou o brinco perdido como desculpa esfarrapada para seduzi-lo?
Franciele apressou-se em provar sua inocência:
— Sr. Sampaio, o senhor entendeu errado. Eu não fiz isso...
Nelson cravou nela um olhar afiado:
— Não fez o quê? Vai ter coragem de me dizer que nunca cobiçou o meu corpo?
Franciele mordeu o lábio inferior e murmurou baixinho:
— Bem, eu já... mas, dessa vez...
Ela queria completar com um “definitivamente não”. Dessa vez, ela realmente só entrou no carro para procurar a joia.
Nelson não resistiu e baixou a cabeça, dando uma leve mordida nos lábios dela como punição.
— Finalmente admitiu que esteve me desejando esse tempo todo?
Franciele o olhou, confusa.
A leve dor a trouxe de volta à realidade.
Seus olhos se encheram de arrependimento.
Meu Deus.
O que ela tinha acabado de falar?
— Não, não é isso...
Antes que ela pudesse terminar a frase, o motorista na frente pisou no freio.
— Chefe, chegamos.
O carro de luxo parou na entrada de um restaurante requintado.
Franciele já tinha ouvido falar daquele lugar. O consumo médio por pessoa ali era de, pelo menos, cinco mil reais.
Ela nunca imaginou que o grande chefe a levaria para almoçar num restaurante tão caro.
Por um momento, Franciele nem soube por onde começar.
— Por que não está comendo?
Vendo que ela hesitava, Nelson não pôde deixar de perguntar.
Franciele hesitou antes de responder:
— Eu... na verdade, não estou com muita fome.
Nelson franziu a testa:
— Esses pratos não são do seu agrado?
Franciele balançou a cabeça rapidamente:
— Não é isso...
Ela apenas não estava acostumada a comer uma comida tão cara.
Afinal, desde pequena, na família Duarte, ela só recebia as sobras.
Mesmo depois de casada com Givaldo, na maior parte do tempo, suas refeições eram feitas de qualquer jeito.
Quase ninguém havia pago uma refeição tão luxuosa para ela na vida.
Os traços bonitos de Nelson assumiram uma expressão ainda mais profunda.
De repente, ele se levantou, caminhou para trás dela e sussurrou de forma ambígua em seu ouvido:
— Você não está esperando que eu te dê comida na boca, está?

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