Depois de dizer isso, ele deu uns tapinhas no dorso do cavalo branco:
— O Guto é o mais dócil por aqui. Quer tentar dar uma volta?
Franciele olhou para a alegria de Paula montando e sentiu uma ponta de vontade de tentar também.
Ela estava prestes a balançar a cabeça e aceitar, quando a voz de Nelson soou ao lado deles.
— Eu ensino a ela!
Franciele travou por um instante, sentindo uma recusa instintiva.
Franklin planejava ensiná-la pessoalmente.
Mas, como Nelson tomou a iniciativa de se aproximar e oferecer, ele obviamente não teve escolha a não ser ceder o lugar.
Ele nunca tinha visto Nelson demonstrar tamanha possessividade por mulher alguma.
— Fica nas suas mãos, então!
Franklin disse isso e logo se afastou.
Deixando-a a sós com Nelson.
Franciele teve um mau pressentimento repentino.
Ela queria muito fugir.
Enquanto quebrava a cabeça tentando inventar uma desculpa...
Ouviu a ordem abrupta de Nelson:
— Suba!
Franciele hesitou:
— Sabe de uma coisa? Acho melhor eu não aprender, não.
Ter o grande chefe a ensinando pessoalmente parecia bizarro demais.
— Você sobe sozinha ou eu te ajudo? — retrucou Nelson.
O belo rosto de Franciele enrijeceu.
Sem saída, ela reuniu coragem, pisou no estribo e montou no cavalo.
Assim que segurou as rédeas, sentiu o peso afundar logo atrás dela e a presença de Nelson a atingiu novamente.
Ela não imaginava que ele montaria o mesmo cavalo que ela; foi uma surpresa total.
Se ele ia ensiná-la a montar, não deveria puxar o cavalo caminhando na frente?
Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu Nelson puxar as rédeas com firmeza, enquanto os braços dele já a aprisionavam em um abraço por trás.
Imediatamente, Franciele sentiu o calor do corpo de Nelson envolver o seu por inteiro.
Ela ficou completamente paralisada, sem mover um músculo.
Pega de surpresa, ela soltou um grito e se agarrou com força à sela.
O cavalo corria rápido, e a sela chocava-se repetidamente contra ela, causando uma dor aguda entre suas pernas.
Franciele nunca tinha cavalgado antes e não fazia ideia de que um cavalo correndo balançava daquele jeito.
Rapidamente, a trepidação a deixou tonta, com o estômago revirado.
— Vai mais devagar! — ela gritou, desesperada.
Mas Nelson parecia não ouvir, e o ritmo só acelerava.
Franciele sentiu que seria arremessada ao chão no segundo seguinte.
O coração parecia querer sair pela boca.
Ao ver que havia uma cerca não muito longe e que o cavalo branco estava indo em direção a ela em alta velocidade, o desespero de Franciele atingiu o limite.
— Devagar, por favoooor...
Ela agarrou o dorso da mão de Nelson, a voz embargada de choro.
— Eu te imploro, mais devagar!
No instante em que as mãos macias dela se encostaram nas dele, Nelson sentiu o próprio coração dar um salto violento.
Ao abaixar a cabeça, viu Franciele praticamente encolhida contra o seu peito, o rosto pálido e gotículas de umidade presas nos cílios...

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