Os corpos dos dois estavam tão colados que quase não havia espaço entre eles.
A reação instintiva de Franciele foi erguer as mãos para empurrar o peito dele.
— Sr. Sampaio, por favor, comporte-se!
Essa não era a primeira vez que ela pedia para ele manter a compostura.
Ele sempre fora tão reservado e contido; como de repente parecia não saber o significado da palavra “limites”?
Mas, ao que parecia, sempre que se deparava com ela, o autocontrole dele fugia pela janela e não voltava mais.
Nelson olhou para baixo, encarando-a.
Embora ela exibisse uma expressão de vergonha e constrangimento, seu belo rosto transparecia um misto de irritação e charme.
Era o tipo de visão que instigava qualquer um a querer ir além.
De repente, Nelson sentiu a garganta apertar; uma vontade incontrolável de beijá-la tomou conta dele.
E foi exatamente o que ele fez.
Franciele arregalou os olhos ao ver os lábios finos dele descerem sobre os seus.
Ela congelou por completo.
E, para piorar, Paula estava bem ali fora, separada deles apenas por uma fina cortina.
Franciele ficou tão apavorada que não ousava mover um músculo, muito menos respirar.
Instintivamente, ela prendeu a respiração, sem coragem de fazer nenhum som e com pavor de que a amiga descobrisse tudo.
Parecia até que estavam tendo um caso clandestino.
Nelson pareceu perceber o que se passava na mente dela, e isso o fez beijá-la com ainda mais voracidade.
A princípio, ele queria apenas provar seus lábios, mas assim que tocou aquela boca macia, não conseguiu mais se soltar.
Era como um vício; ele simplesmente precisava de mais e mais.
Franciele sentiu que ia sufocar com a intensidade daquele beijo.
— Franciele, você está aí dentro?
Foi então que a voz de Paula chamou novamente, do lado de fora do vestiário.
Franciele voltou a si em um instante, empurrando Nelson às pressas.
— Estou!
Ela respondeu rapidamente.
Morrendo de medo de que, se demorasse, Paula simplesmente abrisse a cortina e entrasse.
— Se você já se trocou, pode ir na frente, eu saio em um minuto.
Do lado de fora, a vasta paisagem de campo aberto se estendeu diante de seus olhos.
O vento balançava o pasto suavemente, e os cavalos pastavam tranquilos, de cabeça baixa.
Paula já havia montado em um pequeno cavalo castanho e ria alto, empolgada, como se já tivesse esquecido da existência da amiga.
Não muito longe dali, alguns jovens da alta sociedade bebiam café e conversavam sentados.
Sob a luz do sol, Nelson estava parado ao lado de um imponente cavalo negro.
Não se sabia em que momento ele havia se trocado, mas agora vestia um elegante traje de montaria preto, que realçava ainda mais sua postura alta e atraente.
Só o fato de estar ali parado já era uma cena de tirar o fôlego.
Franciele não resistiu e lançou-lhe mais alguns olhares.
Mas assim que se lembrou do beijo no vestiário, minutos antes, seu rosto ardeu de vergonha e ela desviou o olhar.
Franklin estava inicialmente ensinando Paula a montar.
Quando viu Franciele sair, fez um gesto com a mão para um dos tratadores no estábulo.
O homem imediatamente trouxe um cavalo branco e acompanhou Franklin até Franciele.
— Já se trocou? — Franklin mediu Franciele de cima a baixo, admirando o traje de montaria vermelho vivo que ela vestia, e elogiou sinceramente: — Ficou linda!

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