De tanto ouvir reclamação, ele perdeu a paciência e acabou indo conhecer algumas delas só para cumprir tabela.
Aquelas mulheres até se interessaram por ele, mas ele não viu graça em nenhuma.
Não apenas isso, como a imagem de Franciele continuava surgindo em sua mente o tempo todo.
Ele sentia que estava ficando louco.
Como podia estar tão obcecado por uma mulher casada?
Principalmente quando, recentemente, já tinha decidido manter distância dela.
Mesmo assim, ela continuava aparecendo nos sonhos dele, deixando sua mente em total desordem.
Até nos intervalos das reuniões, a caminho do trabalho ou em jantares de negócios, ele acabava pensando nela sem conseguir evitar.
Ela era como um veneno perigoso: ele sabia que não devia se aproximar, mas não conseguia parar.
Até naquele exato momento, enquanto bebia com os amigos de infância, ainda sentia falta dela.
— Ué, Nelson, aquela ali não é a sua assistente, a Franciele?
Franklin, que estava em pé perto da janela, de repente exclamou.
Ao ouvir o nome Franciele, o coração de Nelson deu um salto.
Ele se levantou na mesma hora, foi até a janela e seguiu o olhar de Franklin para o andar de baixo.
Lá estava ela, sentada num canto do primeiro andar.
Estava jantando com uma amiga, mas em alguns momentos parecia preocupada, em outros soltava suspiros.
Era óbvio que alguma coisa a estava incomodando.
— Ei, qual delas? Aquela de saia branca? Que mulher deslumbrante. — Diogo também se aproximou da janela, curioso.
Ele reparou em Franciele na mesma hora.
A beleza dela e sua silhueta chamavam atenção à primeira vista.
— Mas... por que ela me parece tão familiar? — Diogo estreitou os olhos e, de repente, lembrou. — Espera. Ela não é a filha deixada de lado da família Duarte?
O olhar de Franklin ficou profundo:
— Você a conhece?
Os olhos escuros e sombrios de Nelson também se voltaram para ele.
— Não diria que conheço, mas uma vez, num banquete na casa da família Duarte, vi Eliana dando uma bronca nela. Pelo que ouvi, ela é filha do Joaquim fora do casamento, não tem nenhum status na família Duarte e é praticamente invisível por lá. Naquele banquete, ela nem tinha o direito de participar como convidada. Eliana a tratava como se fosse empregada. Dá até pena.
— Aquela não é a Franciele?
Com os olhos atentos, Franklin logo a notou em pé mais à frente.
Na mesma hora, disse a Nelson:
— Já está tarde. É perigoso para duas mulheres pegarem carro sozinhas. Que tal eu chamá-las para ir com a gente?
Nelson moveu levemente os lábios:
— Como quiser.
Franklin entendeu que, se ele não se opôs, era porque estava concordando.
Suspirou aliviado por dentro.
Afinal, Nelson era conhecido por ser extremamente exigente e raramente deixava alguém entrar em seu carro.
Até mesmo ele, amigo de infância, teve que insistir bastante para conseguir aquela carona.
Franklin imediatamente pediu ao motorista que parasse, desceu e caminhou até Franciele.
— Já está muito tarde. Deixem-me levar vocês de volta.

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