Franciele explicou:
— Já está quase bom.
Nelson deu uma ordem direta:
— Vá trabalhar amanhã.
Ele não sabia o que estava acontecendo, mas passar aqueles dois dias sem vê-la o deixava completamente inquieto.
Do outro lado da linha, Franciele pareceu surpresa:
— Tão rápido?
Nelson insistiu:
— Você não disse que já está quase curada? Se está bem, então volte ao trabalho.
Ele mal podia esperar para vê-la.
Franciele hesitou:
— Mas... eu queria descansar mais alguns dias... Sr. Sampaio, o senhor não tinha dito antes que me compensaria com os dias de folga por aquelas horas extras?
Ela não queria encontrá-lo tão cedo.
E a verdade era que o pé ainda precisava de mais alguns dias para melhorar de vez.
Um traço de contenção passou pelos olhos de Nelson:
— Uhum.
Franciele suspirou aliviada:
— Obrigada, Sr. Sampaio.
Ela já estava prestes a desligar, quando Nelson a chamou de repente:
— Espere.
Ele não queria encerrar a ligação daquele jeito.
Franciele ficou confusa:
— Sr. Sampaio, precisa de mais alguma coisa?
Nelson perguntou de repente:
— Seu marido está em casa agora?
Ao dizer aquelas palavras, não só Franciele se surpreendeu, como ele mesmo também se assustou.
Como foi que ele pôde perguntar aquilo a uma hora daquelas?
Será que queria ir atrás dela?
O coração de Franciele começou a bater acelerado e confuso.
— Está.
Ela mentiu.
Sem saber exatamente quais eram as intenções dele.
Mas dizer que o marido estava em casa evitaria qualquer situação mais complicada.
Nelson sentiu uma decepção indescritível no peito.
Soltou um sorriso amargo.
Com um marido que a tratava com tamanha indiferença, ela já o considerava praticamente inexistente.
Ding-dong—
A campainha tocou.
Franciele olhou para o relógio na parede. Já eram quase onze da noite.
Quem poderia estar à porta àquela hora?
Será que era Givaldo, que tinha voltado e não conseguia entrar?
Como ele estava fora havia dias, Franciele vinha trancando ainda mais a porta principal todas as noites por estar sozinha.
Ela caminhou até lá, desconfiada, destrancou tudo e abriu a porta para ver.
Uma silhueta vestida de preto surgiu diante de seus olhos.
— Sr. Sampaio?
Franciele olhou, pasma, para o homem alto parado à porta.
Ele usava um terno escuro sob medida, tinha no rosto um ar de cansaço da viagem e trazia consigo o frio da noite.
Naquele momento, um par de olhos negros e profundos estava fixo nela.
Franciele se sentiu extremamente desconfortável sob aquele olhar.
— Sr. Sampaio, o que o senhor faz aqui?
Nelson estava com uma das mãos no bolso, e, sob a luz fraca, seus olhos pareciam especialmente intensos.
— Vim ver você. Não vai me convidar para entrar e sentar um pouco?

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