Desde que teve sua primeira menstruação na adolescência, Franciele nunca tinha passado por um imprevisto tão grande.
Naquele momento, foi como se ela tivesse levado um baque.
Queria apenas que a terra se abrisse para poder se esconder.
Sem sequer se importar se ele concordaria ou não, ela simplesmente começou a arrumar suas coisas, pronta para fugir dali.
— Aonde você vai? — chamou Nelson.
Franciele estava com o rosto coberto de vergonha:
— Vou para casa trocar de roupa, amanhã volto para trabalhar.
O olhar de Nelson foi se tornando suave, e havia até um leve sorriso em seus lábios:
— Eu te levo.
Franciele balançou a cabeça rapidamente, sem jeito:
— Não, não precisa se incomodar!
A expressão de Nelson escureceu ligeiramente.
Ele deu passos largos até parar na frente dela e, sem hesitar, tirou o próprio paletó e o colocou sobre os ombros dela:
— Vista isso para voltar.
Franciele olhou para ele, surpresa.
Ela parecia não esperar que ele fosse tão atencioso, a ponto de emprestar seu próprio paletó para ela.
Ela ficou sinceramente surpresa com aquilo.
Sem pensar, as palavras escaparam de sua boca:
— Obrigada.
— Certo — murmurou Nelson, com um olhar de preocupação, acompanhando-a com os olhos enquanto ela saía.
Foi só depois de sair do escritório que Franciele conseguiu suspirar aliviada.
No entanto, o paletó masculino sobre os ombros chamava bastante atenção.
O problema era que sua saia estava manchada pela menstruação, e não havia como tirar a peça de cima agora.
Ela não teve escolha a não ser continuar andando, engolindo a vergonha, envolta no paletó dele.
Assim que a porta do elevador se abriu, Mário estava lá dentro por coincidência.
Como Franciele estava com cólicas no momento, não teve paciência para falar com ele; apenas abaixou a cabeça, entrou e apertou o botão de fechar a porta.
Mas Mário notou o paletó masculino nela em um piscar de olhos.
Ele ia questioná-la, mas, vendo que a porta do elevador estava prestes a se fechar, só lhe restou sair de lá temporariamente.
Porém, quanto mais pensava naquilo depois de voltar, mais achava estranho, e acabou relatando o ocorrido diretamente para Viviana.
...
Ele perguntou, descontente.
Franciele pareceu finalmente notar que ainda usava a roupa de Nelson.
— Ah, este paletó, um colega me emprestou!
Ela continuou respondendo com frieza, imitando a atitude que ele tivera antes, sem dar uma única palavra de explicação a mais.
— Um colega homem?
A expressão de Givaldo ficou ainda mais sombria e irritada:
— Preciso te lembrar que você é uma mulher casada?
Vendo a irritação dele, Franciele apenas achou graça.
Como ela não tinha percebido antes que Givaldo era uma pessoa com dois pesos e duas medidas?
— Minha menstruação desceu de repente, e um colega me emprestou para eu me cobrir, só isso.
Assim que terminou de falar, Franciele tirou o paletó bem na frente dele.
Quando Givaldo viu a mancha de sangue na saia dela, suas dúvidas finalmente se dissiparam.
Mesmo assim, ele não deixou de alertar:
— Você é minha esposa, não exijo muito de você, mas quando sair para trabalhar e conviver com colegas homens, saiba manter os limites, ouviu bem?

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