Os longos cílios de Franciele tremeram.
Ela virou o rosto, sem coragem de encará-lo.
Como ela poderia responder àquela pergunta?
Será que deveria admitir que, no fundo, queria muito fazer com ele?
Se ele fosse apenas um homem comum, ela simplesmente teria se entregado.
Mas ele era o seu chefe.
Franciele realmente não queria ter uma relação com ele que fosse além do ambiente de trabalho.
Ainda mais estando no seu período fértil...
A grande mão de Nelson segurou a cintura dela, forçando-a a continuar presa no seu abraço.
Os seus lábios finos aproximaram-se das orelhas dela, dando mordidas ora leves, ora intensas:
— Se a gente tomar cuidado...
Ao ouvir as palavras dele, Franciele sentiu a sua mente explodir.
Mas antes que pudesse reagir, ela já havia sido empurrada para trás, caindo no banco traseiro do carro.
O seu coração quase saiu pela boca.
A sua saia foi levantada.
Nelson se aproximou por trás...
E foi nesse exato momento que alguém bateu no vidro do carro.
Franciele levantou a cabeça e viu um policial de trânsito fardado ali fora.
Meu Deus.
Eles estavam fazendo coisas indevidas ali e tinham chamado a atenção da polícia?
Por sorte, os vidros daquele carro de luxo eram especiais.
De fora, não dava para ver nada do lado de dentro.
Se desse, Franciele não teria onde esconder o rosto de tanta vergonha.
Nelson envolveu o corpo dela com a sua camisa e depois abaixou o vidro até a metade.
— Senhor, é proibido estacionar aqui!
O policial puxou o talão de multas, com uma expressão séria:
— Por favor, apresente seus documentos.
A respiração de Nelson estava levemente ofegante, e o suor escorria pela sua testa e têmporas.
Eles estavam no ápice do momento, e serem interrompidos daquela forma era extremamente desagradável.
— O meu carro quebrou agora há pouco, a roda dianteira afundou no buraco e não consegue sair. Só pude parar aqui temporariamente para esperar o resgate... — Nelson explicou em voz baixa.
O jovem policial, aterrorizado, começou a se desculpar:
— Foi erro meu não ter compreendido a situação antes. Vou chamar um pessoal agora mesmo para ajudar a tirar o carro de vocês!
— Agradeço o seu esforço, senhor policial. — disse Nelson.
Franciele ficou sem palavras.
Olhando para o rosto pálido do policial, ela não pôde evitar ficar confusa.
Aquele policial parecia tão irritado agora há pouco, pronto para multá-los. Como a sua atitude mudou cento e oitenta graus de repente?
Ela nem imaginava que a ligação de Nelson não fora para advogado nenhum.
Ele ligou diretamente para alguém de alto escalão dentro da corporação.
Pelo telefone, o comandante-geral havia dado uma tremenda bronca no jovem guarda, ordenando que fizesse o seu trabalho direito e não causasse problemas.
Logo, a equipe de resgate chegou.
A roda dianteira do carro de luxo de Nelson foi tirada com sucesso da poça de lama.
O jovem policial ficou observando o carro de luxo se distanciar, imaginando qual seria a identidade daquele homem.
Como alguém tão importante podia tratar aquele homem com tanta cautela?

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