No escritório.
Franciele estava sentada com a postura reta diante do computador.
As mãos digitavam no teclado sem parar.
O ar ao redor estava impregnado de uma raiva contida.
— Que o Givaldo suma da minha frente e pague por tudo o que fez!
— Que a Eliana perca tudo o que acha que tem garantido e prove do próprio veneno!
Franciele digitava furiosamente, com um sorriso estranho no canto da boca.
Como se aquela fosse a única maneira de liberar a sua fúria.
— Franciele, o que você está escrevendo aí?
Giselda, após bater na porta por um longo tempo sem resposta, entrou no escritório confusa e caminhou até ela.
Franciele só voltou a si ao ouvir os passos, apagando rapidamente as linhas que havia digitado num momento de indignação.
— Não é nada. Precisa de algo, Giselda?
Giselda pareceu se lembrar do verdadeiro motivo de ter ido procurá-la.
— A reunião de rotina dos diretores daqui a pouco será conduzida por você, certo? Por que ainda não foi para a sala de reuniões?
Só então Franciele se lembrou de que haveria uma reunião de diretores naquela manhã.
Ela quase permitiu que o fato de Givaldo tê-la confundido com a irmã afetasse seu humor ao ponto de esquecer um compromisso tão importante.
— Obrigada por me avisar, estou indo agora mesmo.
Franciele arrumou suas coisas às pressas e foi para a sala de reuniões junto com Giselda.
A reunião daquele dia marcava a estreia de Franciele como mediadora, atuando como assistente executiva.
No começo, tudo correu perfeitamente bem.
Mas quando o presidente Nelson começou a discursar, o olhar dela se fixou nele por alguns segundos a mais.
E então, sentiu um calor inexplicável inflamar-se dentro de seu corpo.
Todo o seu ser começou a se sentir extremamente desconfortável.
Droga, será que a crise de seu desequilíbrio interno estava atacando novamente?
Naquela manhã, após sair furiosa do quarto de Givaldo, Franciele tinha ido direto para a empresa.
Ela parecia ter se esquecido de tomar o remédio.
E para piorar, logo agora ela teve que olhar para Nelson...
Precisava admitir que o chefe esbanjava uma masculinidade avassaladora enquanto discursava.
Mas o olhar que direcionava a ele já havia se tornado sedutor, beirando o delírio...
O rosto dela ganhava um rubor quente...
Aquela expressão entregue deixava claro que ela queria devorá-lo vivo.
Se qualquer outra mulher ousasse cobiçá-lo daquela forma, Nelson já a teria expulsado da sala de reuniões há muito tempo.
Mas, como se tratava de Franciele, ele não apenas deixou de sentir repulsa, como um traço de satisfação secreta surgiu em seu peito.
Até mesmo o seu corpo começou a reagir de maneira incontrolável...
Merda!
Nelson praguejou internamente, furioso.
O que estava acontecendo com ele?
Será que também havia sido contagiado por aquele problema de crise?
Como podia estar desejando uma subordinada casada?
Ao ver a expressão de Nelson escurecer cada vez mais, o gerente que apresentava o relatório começou a suar frio, com a voz trêmula.
Sem saber onde havia ofendido o Sr. Sampaio.

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