Franciele caminhava na direção de Nelson quando, de repente, alguém tomou a iniciativa de sugerir:
— Sr. Sampaio, por que o senhor e sua acompanhante não cantam uma música para nós?
Antes que Franciele pudesse processar a ideia, alguém já havia colocado um microfone em sua mão.
Queriam que ela cantasse um dueto com Nelson? O que aquelas pessoas tinham na cabeça?
Será que não percebiam que ela era apenas uma subordinada de Nelson, e não sua acompanhante?
Instintivamente, Franciele desviou o olhar para Nelson.
Ele continuava sentado, segurando uma taça de vinho, e não demonstrou nenhuma reação por um longo momento.
Acreditando que ele estivesse incomodado, Franciele tomou a iniciativa de contornar a situação:
— Não deixem o Sr. Sampaio numa situação dessas. Que tal se eu cantar uma música sozinha para vocês?
Os outros começaram a aplaudir e a fazer barulho, e até escolheram uma música para ela: 'Uma Mulher Vulnerável'.
Assim que a melodia começou, ela se arrependeu. Cantar aquela música naquela situação era adequada demais para a situação.
Especialmente a letra, que parecia um reflexo exato do fundo do seu coração.
'Guardando o seu beijo da noite passada, sem sentir a sua verdade. O crepúsculo cai enquanto penso em você, e as lágrimas ainda marcam o meu rosto. Se eu parasse de me importar, se não doesse tanto me afastar, será que a noite não seria tão fria? Será que o coração não doeria tanto...'
Ao chegar ao final da música, Franciele não soube se foi porque tocou em uma ferida íntima, mas não conseguiu evitar pensar nela e em Givaldo.
No entanto, com tantas pessoas na sala privativa, ela reprimiu suas emoções e insistiu em cantar até o fim.
Quando devolveu o microfone silenciosamente e virou a cabeça, Nelson estava de pé logo atrás dela.
Seus olhares se encontraram, e ele notou imediatamente os olhos levemente marejados dela, sentindo um aperto súbito no peito.
Em quem ela estava pensando enquanto cantava aquela música?
Franciele foi a primeira a desviar o olhar, frustrada consigo mesma por ser tão sentimental.
Como podia cantar uma música e ainda pensar nela e em Givaldo?
Homem que muda de lado assim não merece nem ser lembrado.
Ainda mais porque Givaldo não havia mudado de coração.
Ele simplesmente nunca a amou, do começo ao fim.
...
No caminho de volta, Franciele sentou-se perto da janela sem dizer uma palavra.
Observava as luzes da cidade passando pela janela, imersa em seus próprios pensamentos.
— Sr. Sampaio, para onde vamos agora? — O motorista na frente de repente pediu instruções.
Franciele virou a cabeça, incrédula.
Viu que Nelson continuava sentado de forma ereta, com uma postura séria e inabalável.
Ela quase duvidou se aquelas palavras realmente tinham saído da boca dele.
— P-presidente?
Franciele ficou um pouco perplexa.
Lançou um olhar rápido para o motorista no banco da frente e corou de vergonha.
Felizmente, aquele carro de luxo alongado era espaçoso o suficiente, e a voz de Nelson não fora alta; o motorista na frente provavelmente não tinha ouvido.
Nelson observou aquela expressão tímida dela, com o olhar escurecendo e o pomo de adão subindo e descendo.
— O que foi, não quer mais devolver? Não me diga que quer guardar para você?
Franciele imediatamente balançou a cabeça com rapidez:
— Não, eu vou levar este vestido para a lavanderia amanhã e o devolverei junto com aquela peça.
Nelson enfatizou, com um tom cheio de segundas intenções:
— O vestido é seu, mas a minha cueca você vai lavar à mão.

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