Ao sentir o movimento repentino dela, o corpo de Nelson enrijeceu levemente.
Seus olhos escuros, que antes transbordavam frieza, escondiam o maré de emoções que acabava de se agitar em seu interior.
Ele a olhava incrédulo, como se jamais pudesse imaginar que ela o beijaria em um momento como aquele.
E pior, que tomaria a iniciativa de beijá-lo.
Franciele sabia que tinha sido um tanto ousada.
Mas para apagar a fúria vulcânica que irradiava dele, foi a única solução que conseguiu pensar no momento.
Vendo-o imóvel, deixando-se ser beijado enquanto seus olhos negros continuavam fixos nela.
O coração dela disparou descontrolado.
Será que esse método iria mesmo acalmá-lo?
Ou o fato de tê-lo beijado em público apenas inflamaria ainda mais a sua raiva?
Os longos e espessos cílios de Franciele tremeram freneticamente.
Enquanto ela o observava a poucos centímetros de distância.
Nelson, daquela proximidade, podia ver com clareza a superfície cristalina dos olhos dela, refletindo a sua própria expressão severa.
Exatamente quando Franciele soltou os lábios dele, pronta para desistir do beijo e se afastar.
Nelson agarrou subitamente a fina cintura dela, puxando-a para que se colasse com firmeza contra o seu corpo grande e robusto.
Com a voz rouca, ele a encarou:
— Você tem ideia do que está fazendo?
— Eu tenho, sim!
Franciele piscou, sustentando o olhar naqueles olhos profundos:
— Só para você se acalmar. Eu não tentei me esconder de propósito! Eu realmente não consegui achar o caminho de volta!
Os traços frios e másculos do rosto de Nelson aproximaram-se mais um pouco.
A ponta de seus narizes se tocou, enquanto suas respirações se misturavam.
O peito de Franciele entrou em pânico, sem saber se ele havia acreditado ou não nas suas palavras.
Ela apoiou as duas mãos no peito dele, tentando empurrá-lo um pouquinho.
Aquela intimidade exagerada em público definitivamente não era algo apropriado.
Só havia feito aquilo antes como uma tentativa desesperada de aplacar a raiva dele.
Mas Nelson nem sequer se moveu, segurando os pulsos dela com as mãos enormes.
Seus lábios estavam a uma folha de papel de distância dos dela.
— Por que me beijou de repente?
Franciele umedeceu os lábios rosados:
— ...
Como ela poderia responder aquilo?

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