Franciele franziu a testa por instinto.
Não conseguia entender por que o pai estava, de repente, exigindo que ela trabalhasse ali.
Mas havia uma coisa de que tinha certeza: não era para ajudá-la.
— Não! — recusou.
O olhar de Joaquim se estreitou.
— Pense bem antes de me responder!
Franciele o encarou de frente e repetiu:
— Eu disse não.
Sem dizer mais nada, Joaquim arremessou o taco de golfe na direção dela.
Franciele conseguiu desviar a tempo.
O taco caiu no chão com estrondo.
Joaquim explodiu de raiva:
— Sua insolente! Eu te dou uma oportunidade de ouro, e você tem a audácia de recusar!
Será que ela achava mesmo que ele queria colocá-la no Grupo Duarte?
Trazê-la para a empresa significaria ter que dar explicações complicadas à esposa.
Além disso, ele ainda teria que encontrar uma forma de acalmá-la e compensá-la pelo aborrecimento.
E ali estava Franciele, rejeitando tudo com uma única palavra.
Sem demonstrar a menor gratidão pelo esforço do pai.
— Se não me engano, o senhor só quer que eu entre no Grupo Duarte porque não quer desagradar Marcos e a família Sampaio, certo? — deduziu Franciele, com uma expressão indecifrável.
Joaquim ficou surpreso.
Acabou olhando para a filha mais nova com um pouco mais de atenção.
Por Franciele ser filha da amante e, além disso, mulher, os cuidados e a atenção que ele lhe dera ao longo da vida tinham sido mínimos.
Ele nunca teve grandes exigências nem altas expectativas em relação a ela.
Para ele, bastava que ficasse quieta e comportada dentro da casa dos Duarte.
Normalmente, toda a atenção dele estava voltada para Edson e Eliana.
Infelizmente, Edson não era brilhante, e Eliana, apesar de ser filha da esposa legítima, só causava problemas.

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