Os olhos de Franciele vacilaram de nervoso.
Por que Givaldo estava ligando justo naquela hora?
Provavelmente já estava perdendo a paciência de tanto esperar no cartório.
Mas ela não tinha como prever que Nelson se machucaria tentando protegê-la.
Agora, simplesmente não conseguia sair dali.
Franciele pensou em recusar a ligação.
No entanto, Nelson mordeu de repente o lóbulo da orelha dela.
Um arrepio percorreu o corpo inteiro de Franciele.
Como se uma corrente elétrica a atravessasse.
Assustada, sua mão tremeu.
E ela acabou atendendo a chamada por engano.
— Por que você está demorando tanto?
A voz impaciente de Givaldo ecoou pelo celular, fazendo tanto ela quanto Nelson congelarem.
Um traço de pânico atravessou o rosto bonito de Franciele.
A frustração consigo mesma só aumentou.
Ela queria desligar.
Como foi que atendeu sem querer?
No instante em que ouviu a voz de Givaldo, o olhar de Nelson escureceu abruptamente.
Sua expressão ficou ainda mais indecifrável.
A primeira reação de Franciele foi empurrar Nelson.
Precisava manter uma distância segura dele.
Ela não podia deixar Givaldo descobrir que havia outro homem ali com ela.
Mas Nelson parecia decidido a dificultar tudo.
A cada passo que ela dava para o lado, ele avançava na mesma direção.
Isso impedia Franciele de falar ao telefone direito.
Do outro lado da linha, Givaldo já estava perdendo o resto da paciência.
— Franciele? — ele a chamou.
A ligação estava conectada, mas Franciele não respondia.
Isso nunca tinha acontecido antes.
Ainda mais porque ela o tratava com uma submissão quase servil.
Givaldo começou a desconfiar na mesma hora.
A voz dele subiu alguns tons:
— Franciele, por acaso você está com outro homem?
Ao ouvir isso, Franciele sentiu um aperto no peito.
Ela queria negar imediatamente, mas, antes que conseguisse dizer qualquer coisa, Nelson a puxou para os braços dele com ainda mais força.
Então, num gesto deliberado, ele beijou a curva do pescoço dela.
Franciele soltou um suspiro contido, quase involuntário.
Mesmo sendo discreto, aquele som foi suficiente para Givaldo ouvir.
— Mentirosa.
O coração de Franciele quase parou.
Ela tapou o microfone do celular com a mão e lançou a Nelson um olhar desesperado:
— Você enlouqueceu?
Nelson não respondeu.
Apenas a observou, com os olhos escuros carregados de uma possessividade difícil de esconder.
Do outro lado da linha, Givaldo já tinha ouvido ruídos estranhos o bastante.
— Franciele, eu estou indo até aí agora.
Assim que ouviu isso, o rosto de Franciele empalideceu.
Ela não podia deixar Givaldo aparecer ali de jeito nenhum.
Sem ter outra saída, falou às pressas:
— Não precisa vir. Eu... eu já estou saindo. A gente conversa pessoalmente no cartório amanhã.
Givaldo ficou em silêncio por alguns segundos.
Então falou, frio:
— Amanhã você me dá uma explicação.
A ligação foi encerrada.
Franciele soltou o ar de uma vez só, como se tivesse acabado de escapar de um desastre.
Mas, no instante seguinte, virou-se para Nelson e explodiu:
— Você fez isso de propósito!

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