Nem mesmo a família Mendes conseguiria protegê-lo.
Franciele, naturalmente, soltou um suspiro de alívio.
Ela sabia que Fernando não era uma pessoa comum.
Lidar com a família Mendes seria ainda mais complicado.
Se não fosse por Nelson...
Mesmo que Fernando realmente tivesse tentado abusar dela, seria extremamente difícil fazê-lo pagar por isso.
No máximo, ele seria levado para a delegacia e liberado logo em seguida.
E o caso provavelmente acabaria abafado.
Pior ainda: Fernando poderia voltar a assediá-la de forma ainda mais cruel, em busca de vingança.
— Obrigada!
Franciele agradeceu com sinceridade.
— Tire a calça! — Nelson disse, sorrindo para ela.
— Hã? — Franciele ficou atônita, e suas bochechas coraram na mesma hora.
Agradecer não significava que ela precisava tirar a calça dele, certo?
Nelson curvou os lábios num sorriso contido:
— Se você não tirar a calça, como vai passar o remédio em mim?
Franciele fechou os olhos:
— Então... tudo bem...
Ela faria aquilo como forma de retribuir por ele ter resolvido o problema com a família Mendes e garantido que a justiça fosse feita.
A mão dela desceu até o cinto na cintura dele.
Mas, de olhos fechados, Franciele não conseguia encontrar a fivela de jeito nenhum.
Sua mão acabou tocando diretamente o abdômen firme e definido dele.
Ao perceber que a textura estava errada, a mente de Franciele ficou em branco, e ela abriu os olhos de repente.
Quando viu que sua mão estava sobre o abdômen dele, ficou vermelha até a ponta das orelhas.
Instintivamente, tentou puxar a mão de volta.
Mas Nelson a segurou com força, impedindo que ela se afastasse.
— Fez de propósito?
Ele sussurrou no ouvido dela, com a voz extremamente rouca.
Franciele balançou a cabeça na mesma hora:
— Não fiz isso de propósito!
Se ele não tivesse insistido tanto para que ela tirasse a calça dele, ela não teria errado o lugar.
Nelson rebateu:
— Então continua.
Franciele sentiu o constrangimento tomar conta dela:
— ...
Continuar o quê?
Continuar tocando o corpo dele?
Franciele encontrou os olhos escuros e profundos de Nelson.
Só então percebeu que tinha entendido tudo errado.
Ele só estava pedindo que ela continuasse a tirar a calça dele para passar o remédio.
O cinto foi desfeito.
Mas o rosto de Franciele voltou a corar visivelmente.
Morta de vergonha, ela o ajudou a abaixar a calça.
Só que, depois de observar com atenção por alguns segundos, não encontrou nem um arranhão nas pernas dele.
Antes que pudesse questioná-lo, seus olhos desviaram sem querer para o volume na...
Franciele ficou escarlate:
— Você!
— Eu o quê?
Nelson engoliu em seco e assumiu uma expressão inocente:
— Sou um homem normal. Com você olhando ali embaixo desse jeito, fica difícil não reagir, não acha?
— E quando foi que eu fiquei olhando pra aí? — Franciele retrucou na mesma hora.
Ela se sentia completamente injustiçada.
Nelson provocou:
— Não olhou uma vez só, não. Você espiou várias vezes.
Franciele ficou sem palavras:
— ...
Ela estava prestes a explicar que só estava procurando os ferimentos para passar o remédio.
E que não tinha a menor intenção de se aproveitar da situação para ficar olhando.
Mas, nesse exato momento, o celular dela começou a tocar.
Era o marido, Givaldo, ligando.

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