Aquilo era impossível, não?
Devia ser impressão sua.
Como o carro do grande chefe estaria no seu condomínio?
A visão de Franciele vacilou por um segundo, e o veículo já tinha desaparecido.
Ela se virou e voltou para o quarto.
Deitada na cama, não conseguiu evitar que os pensamentos fossem até Nelson.
Naquela noite, no camarote, Filomena realmente teve a coragem de pedir sua ajuda para conquistá-lo.
Aquilo definitivamente não era uma tarefa fácil.
Se desse errado, ela corria o risco de perder o emprego.
...
No dia seguinte.
Assim que chegou à empresa, Franciele recebeu uma mensagem de Filomena.
Nela vinham a hora e o endereço do restaurante onde queria jantar com Nelson.
Pelo visto, estava mesmo decidida a usar Franciele como ponte.
Se era para marcar, então marcaria.
Franciele cerrou os dentes.
No máximo, ajudaria Filomena dessa vez e pagaria o favor que sentia dever.
Afinal, Nelson e Filomena formavam um casal bonito, compatível em origem e status.
Era bem possível que as famílias de ambos já tivessem esse emparelhamento em mente.
Se ela simplesmente ajudasse o chefe a se acertar com Filomena, talvez todos os vexames que já tinha passado diante dele — suas crises, o episódio da droga, as situações constrangedoras — acabassem esquecidos de vez.
E ele deixaria de usar qualquer “oportunidade” para tentar tirar vantagem dela no trabalho.
Foi exatamente nessa hora que Myron apareceu pedindo ajuda: queria que ela convencesse Nelson a tomar os remédios.
Franciele viu ali a desculpa perfeita para ir até a sala da presidência.
— Entre!
A voz grave e familiar de Nelson veio de dentro.
Franciele respirou fundo e abriu a porta.
Para sua surpresa, o todo-poderoso estava sentado na cadeira executiva, fumando.
O escritório inteiro estava coberto por uma névoa de fumaça.
Franciele tossiu de leve, por instinto.
— Precisa de algo?
Os olhos escuros e profundos de Nelson pousaram sobre ela.
Franciele assentiu apressadamente e se aproximou.
— Bem...
Ela forçou um sorriso, hesitando.
Não podia simplesmente perguntar logo de cara se ele estava livre à noite.
Mas Nelson segurou seu pulso com firmeza.
— Limite-se ao seu trabalho.
Franciele revirou os olhos mentalmente.
Por acaso ele achava que ela tinha paixão por limpar cinzeiros?
Só estava fazendo aquilo porque precisava ganhar tempo e criar coragem para dizer o que tinha vindo dizer.
Instintivamente, puxou o braço para se soltar.
Mas, no movimento brusco, acabou esbarrando no copo de água sobre a mesa.
Como se fosse castigo, a água virou toda sobre o colo dele, bem na região da virilha.
Ela até tentou segurar, mas já era tarde.
Praticamente toda a água encharcou a calça dele bem ali.
As pálpebras de Franciele tremiam de nervoso.
Ela mal tinha coragem de olhar para o rosto dele.
Sabia que o havia deixado furioso.
Precisava pedir desculpas e consertar a situação o quanto antes.
— Me... me desculpe...
Apavorada, pegou alguns lenços de papel sobre a mesa para secá-lo.
Sem perceber o quão íntima e constrangedora era aquela área.

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