— Ah!
Eliana gritou de susto.
E saiu rolando escada abaixo.
Só parou nos degraus do primeiro andar, encolhida numa postura dramática de dor.
Na verdade, a escada nem era tão alta assim.
A expressão sofrida dela tinha muito de encenação.
Franciele ficou parada no topo, olhando-a de cima com frieza.
— Eliana!
A voz desesperada de Givaldo soou às costas dela.
No instante seguinte, ele desceu correndo e amparou Eliana no chão.
— Eliana, você está bem?
— Eu... — Eliana quase se engasgou de tanto ressentimento.
Originalmente, ela queria empurrá-lo para longe.
Mas, pelo canto do olho, percebeu Franciele observando do alto da escada.
De repente, começou a chorar e se jogou nos braços de Givaldo:
— Givaldo... buá... eu acho que não consigo me mexer...
Era a primeira vez que ela se jogava de forma tão aberta nos braços dele.
Givaldo ficou atordoado.
Ao mesmo tempo, sentiu uma alegria involuntária no coração.
Ergueu a mão e começou a dar tapinhas hesitantes nas costas dela.
— Não chora. Eu vou examinar você.
Abaixou-se ao lado dela e verificou seu tornozelo com cuidado.
Parecia uma torção leve.
— O que aconteceu exatamente? — perguntou ele, tomado por preocupação, enquanto apalpava com cuidado a área lesionada.
— Foi ela...
Eliana apontou para Franciele no topo da escada, com olhar cheio de aversão.
Seguindo a acusação, Givaldo ergueu os olhos e viu Franciele ali, observando os dois.
Por um instante, sua primeira reação foi culpa.
Quase soltou Eliana automaticamente.
Mas, bem nessa hora, Eliana soltou um gemido sofrido:
E, francamente, Franciele também não fazia questão de vê-lo.
Encheu a banheira, tomou um banho relaxante e reconfortante e já se preparava para dormir quando o celular tocou de repente.
Foi até a janela para atender.
Era a imobiliária.
Dias antes, ela havia preenchido um formulário com as características do imóvel que procurava.
O corretor ligava para dizer que acabara de surgir um apartamento que atendia exatamente a tudo o que ela queria, ideal para alugar.
Franciele marcou a visita para o dia seguinte.
Ao desligar, seus olhos caíram casualmente sobre a rua lá embaixo.
Um Rolls-Royce luxuoso acabava de fazer a volta para ir embora.
O condomínio onde Franciele morava não era exatamente uma área onde carros desse nível costumavam aparecer.
Até se viam alguns importados, mas um Rolls-Royce daquele padrão já era novidade.
Ela não resistiu e olhou melhor.
Como não morava tão alto e a iluminação do condomínio era boa, no instante em que o carro manobrou conseguiu distinguir a placa.
O carro de Nelson?

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