Franciele virou a cabeça, surpresa.
Foi então que percebeu que Nelson estava deitado bem ao seu lado e que ela mesma estava na cama do hospital.
Franciele ficou paralisada por um segundo antes de voltar à realidade.
Seu rosto pálido corou furiosamente em um instante.
Até as pontas das orelhas começaram a queimar.
— Por que... eu estou na sua cama?
Nelson casualmente lhe estendeu um copo de água.
E lhe entregou junto os remédios reguladores que havia mandado buscar na noite anterior.
— Ontem à noite você teve uma crise... — ele a lembrou, em tom calmo.
A memória atingiu Franciele como um raio.
Sim, ela estava no quarto dele quando a febre interna atacara subitamente.
Lembrava-se também de ter corrido para o banheiro dele para tomar um banho gelado.
O que, infelizmente, não surtira efeito algum.
No fim, teve que implorar a Nelson para conseguir os remédios para ela.
O problema é que ela só tinha lembranças vagas de estar deitada no sofá, esperando a medicação chegar.
Como foi acordar na cama dele?
Será que, incapaz de suportar a tortura até os remédios chegarem, ela mesma havia subido na cama dele?
Não podia ser, podia?
Se fosse verdade, será que ela tinha feito... aquilo... com ele?
— Ontem à noite, eu por acaso...
Franciele forçou um sorriso nervoso e reuniu toda a coragem que lhe restava para perguntar.
Nelson a encarou com seus olhos escuros:
— Por acaso o quê?
Franciele mal conseguia sustentar o olhar dele.
— Eu... eu fiz alguma coisa inapropriada com você?
Algo inapropriado?
Nelson estreitou os olhos:
— Sim. Na verdade, várias.
Franciele ficou sem palavras.
A vergonha que a invadiu foi tão grande que ela quis que a terra se abrisse e a engolisse.
Como... como havia sido capaz de atacá-lo de verdade?
E o pior de tudo é que não se lembrava de absolutamente nada.
Franciele se desculpou atropelando as palavras:
— Sr. Sampaio, sinto muito. Eu... eu juro que não foi de propósito. Eu perdi completamente o controle com aquela crise de ontem à noite...
Ela arregalou os olhos, o rosto queimando até ficar da cor de um pimentão.
Ele havia dormido sem camisa a noite toda? E o pior, havia “dormido” ao lado dela daquele jeito?
Se não fosse pelos remédios que acabara de tomar, com certeza teria outra crise de descontrole ali mesmo.
— Eu o quê? Venha aqui. — Nelson mandou diretamente.
Franciele abaixou os olhos rapidamente, sem coragem de lançar mais um olhar sequer ao abdômen esculpido e tentador dele.
Apenas pegou as roupas separadas para ele, de cabeça baixa, e ajudou a colocá-las em seus ombros.
Tentou mudar de assunto, nervosa:
— Pareceu que alguém veio aqui fora agora há pouco?
E uma das vozes havia soado estranhamente familiar.
Parecia a voz de Filomena.
Felizmente, outra pessoa havia chegado e a levado embora.
Se Filomena a tivesse flagrado deitada na cama de hospital de Nelson, não haveria explicação no mundo que a salvasse.
— Sim, ninguém importante. — Nelson respondeu, com indiferença.
Claro que ele havia percebido que era Filomena exigindo entrar no quarto.
Preocupado que o escândalo acordasse Franciele, havia enviado uma mensagem para Loreta, pedindo que se livrasse da visita inoportuna.
Mas o barulho acabara acordando Franciele de qualquer maneira.
Ninguém importante?

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