Tudo o que ela fazia era perfeito.
Enquanto tudo o que Franciele fazia estava errado.
Givaldo estava ficando cada vez mais parecido com o pai dela, com Viviana e com Mafalda.
Todos eles protegiam Eliana incondicionalmente.
Apenas porque Eliana era a herdeira legítima da família Duarte.
E ela não passava de uma filha ilegítima, escondida nas sombras.
Franciele balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos caóticos.
Pensar naquilo só a deixava ainda mais angustiada.
A crise não dava sinais de trégua.
Toc, toc, toc.
Batidas fortes ecoaram na porta do banheiro, seguidas pela voz de Nelson.
— Por que você ainda não saiu?
Ela já estava trancada ali havia mais de uma hora.
Era inevitável que Nelson começasse a se preocupar, achando que algo ruim tivesse acontecido.
Ninguém respondeu.
As sobrancelhas de Nelson se juntaram numa linha de tensão.
Ele bateu novamente, mas o silêncio persistiu.
Quando estava prestes a forçar a maçaneta e arrombar a porta...
A porta do banheiro se abriu.
Franciele apareceu em seu campo de visão, com o rosto intensamente corado.
— Sr. Sampaio, eu não estou me sentindo bem.
Todo o corpo dela estava mole, e seus membros pareciam não ter força alguma.
Sem outra alternativa, não teve escolha a não ser pedir ajuda.
Uma onda de emoção sombria e intensa cruzou os olhos escuros de Nelson.
Ele jamais imaginou que se depararia com uma cena daquelas.
Seu pomo de adão se moveu levemente ao engolir em seco.
Apertou os lábios, lutando bravamente contra o impulso de tomá-la ali mesmo.
No segundo seguinte, Franciele literalmente se jogou contra ele.
Duas mãos pálidas e delicadas agarraram seus ombros com força.
— Você... pode me ajudar?
Ela murmurou com a voz embargada, os olhos semicerrados e nebulosos.
O olhar de Nelson escureceu.
Sua respiração tornou-se mais pesada.
A lembrança daquela noite em que o corpo dela havia sido comprometido invadiu sua mente; ela havia implorado por ajuda exatamente da mesma forma.
— Como você quer... que eu a ajude?
A voz dele saiu num sussurro rouco, enquanto seus olhos profundos a encaravam fixamente.
Ele sabia exatamente do que ela precisava.
Naquele momento, ele era a única salvação dela.
Franciele saiu lentamente do banheiro.
Caminhou cambaleando até o sofá e se deixou cair.
Restava-lhe apenas esperar o remédio chegar para aliviar aquele tormento.
Mas o desconforto era quase insuportável.
Cada célula do corpo de Franciele gritava por contato.
Ao observar as costas largas de Nelson viradas para ela,
sentiu um impulso irracional de correr e colar o corpo no dele.
Meu Deus.
O que ela estava pensando?
Como podia estar fantasiando com ele num momento daqueles?
Ele era o seu chefe, afinal de contas.
Franciele sentia-se frustrada e atormentada ao mesmo tempo.
Era uma verdadeira tortura.
Se estivesse em casa, sozinha, já teria encontrado um jeito de aliviar a tensão.
Mas, como a sorte não estava a seu favor, encontrava-se no quarto de hospital dele.
A única coisa que podia fazer era puxar e amassar nervosamente o tecido das próprias roupas...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Ex Era Frio, Eu Casei de Novo