Diante da interrupção de Paloma, Verônica não tocou mais no assunto.
O restante do jantar transcorreu sob uma atmosfera ligeiramente tensa.
Após a refeição, Paloma virou-se para Bruna. — Bruna, você e o Sr. Braga podem dar uma volta pela propriedade se quiserem. Amanhã de manhã, levarei vocês para ver o Dr. Jesse.
Bruna assentiu com a cabeça.
Em seguida, Paloma puxou a mãe para longe da sala de jantar.
Bruna trocou um olhar com Uriel, que apenas deu de ombros, sem entender direito o que estava acontecendo.
Ela concluiu que precisava ter uma conversa séria com a amiga.
Mas naquele momento, sua cabeça estava cheia demais.
Sua única preocupação era que os exames de Uriel corressem bem para que a cirurgia fosse realizada sem imprevistos.
Na manhã seguinte.
Bruna acordou bem cedo.
Vendo Uriel ainda mergulhado em um sono profundo, levantou-se em silêncio.
O sol mal havia começado a despontar no horizonte.
Ela foi ao banheiro se arrumar antes de tentar acordá-lo.
— Uriel... Uriel, hora de acordar.
Uriel abriu os olhos devagar.
Ao focar no rosto de Bruna, puxou-a instintivamente para os seus braços, enfiando-a debaixo das cobertas enquanto murmurava rouco em seu ouvido.
— Só mais cinco minutinhos.
Rindo, Bruna apertou de leve o lóbulo da orelha dele.
— Nada de dormir! Hoje é o dia dos seus exames. Quanto mais cedo você tirar sangue, mais rápido vai poder comer.
— Não estou com fome — resmungou ele, ainda grogue.
Bruna soltou uma risadinha suave.
Sabia muito bem que era mentira.
Depois de muita insistência, Uriel finalmente se arrastou para fora da cama, a contragosto.
Até então, Bruna não sabia que ele tinha esse lado manhoso pelas manhãs.
Afinal, no passado, era ela quem mais tinha dificuldade para sair das cobertas.
Quando os dois desceram, Paloma já os aguardava do lado de fora em um carro.
Movida por interesses próprios e pelo desejo de trazer Bruna de volta ao mundo do design.
Ela e Bonifácio haviam elaborado aquele plano ardil.
Mas se soubesse que os sentimentos de Uriel eram tão profundos a ponto de seu corpo manter os mesmos hábitos de proteção mesmo sem as memórias.
Ela jamais teria cometido a estupidez de enganá-los daquela forma.
O sorriso de Paloma desapareceu aos poucos, dando lugar a um peso no peito.
Ela havia sabotado a própria amizade com a única amiga verdadeira que tinha.
Após devorar o sanduíche, que era incrivelmente generoso, Bruna não aguentava comer mais nada.
Mas Uriel, atencioso como sempre, estendeu-lhe uma caixinha de leite.
Bruna hesitou. Estava realmente cheia.
Mas Uriel manteve a caixinha estendida, com uma expressão inabalável que deixava claro que ele não a abaixaria até que ela bebesse.
Conformada, Bruna pegou o leite e bebeu.
Assim que a caixinha esvaziou, o carro parou suavemente em frente ao hospital.
Paloma desceu primeiro, guiando os dois para dentro.

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