Quando Paloma arrastou seu corpo exausto para fora do quarto, Bonifácio já não estava à vista.
A mesa de jantar estava farta, repleta dos seus pratos favoritos.
No que dizia respeito a cuidar dela, Bonifácio sempre fora sinônimo de extravagância.
Mesmo que ela fosse fazer a refeição sozinha, havia dezenas de travessas dispostas sobre a mesa, todas com opções que agradavam ao seu paladar.
Ao lado do prato principal, repousava um bilhete.
[Alimente-se bem. Deixa que eu resolvo as coisas com o Jesse. E, mais uma vez, me perdoe.]
As pontas dos dedos de Paloma ficaram brancas de tanto apertar o papel.
Ela permaneceu de pé junto à mesa por um longo momento antes de finalmente se sentar e começar a comer.
Escondido atrás da porta entreaberta, Bonifácio soltou um suspiro de alívio ao ver que a esposa estava se alimentando, virando-se para ir embora de vez.
(...)
Após a conversa decisiva entre Bruna e Uriel, o homem bateu o pé.
Ele insistia veementemente que só faria a cirurgia após a Celebração dos 100 Dias de Ângela Braga.
Sem alternativa, Bruna precisou reagendar com Paloma.
A amiga garantiu que não haveria problema algum.
Alguns instantes de silêncio se passaram no aplicativo de mensagens, até que o celular de Bruna vibrasse novamente com um recado de Paloma.
[Bruna, eu... posso ir à festa da Ângela?]
Ao ler aquelas palavras, os dedos de Bruna hesitaram sobre a tela iluminada.
Respirando fundo, ela digitou sua resposta.
[O convite já não foi enviado para você?]
Dessa vez, a tréplica de Paloma foi imediata:
[Entendido. Estarei lá no horário.]
Após deixar o celular de lado, Bruna voltou sua atenção para Uriel, que segurava Ângela nos braços.
Ela se aproximou, abrindo um sorriso doce.
— Certo, já chega de brincadeira. É hora da Ângela dormir. Coloque ela no berço.
A pequena Ângela ainda mantinha os olhinhos redondos bem abertos. Ao ver a mãe se aproximar, balançou as mãozinhas no ar, pedindo colo.
Rindo, Bruna esticou os braços para pegar a filha, mas Uriel se esquivou habilmente.
— Ela está ficando pesada, seus braços vão doer. Deixa que eu a faço dormir.
Contudo, com a rotina agitada das últimas semanas, acabara emagrecendo alguns quilos.
Ainda assim, seu corpo estava longe de ser tão esguio quanto antes da gestação.
Ela encarou Uriel com desconfiança, tendo a absoluta certeza de que ele estava exagerando.
Dando um beliscão no braço firme do marido, ela provocou:
— Você mal acabou de se recuperar e já está querendo bancar o fortão?
Uriel abaixou o olhar instantaneamente.
A intensidade nos olhos dele e o leve travar de maxilar deixaram claro que Bruna acabara de pisar em uma mina terrestre.
Ela recolheu a mão no mesmo instante.
Repassando sua própria frase na cabeça, percebeu o erro fatal.
Aquilo soara como um desafio direto à masculinidade de Uriel.
Nervosa, ela lançou um olhar significativo para o berço ao lado.
O recado era claro: "Agora não."
Mas Uriel não recuou. Seus olhos escureceram, focando-se com avidez nos lábios macios e convidativos da esposa.

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