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Meu Amor, Meu Traidor romance Capítulo 750

A polícia se recusou a fornecer mais detalhes além da confirmação do colapso nervoso de Fernanda.

Nenhuma outra informação relevante foi compartilhada.

Bruna conseguiu o endereço da instituição e exigiu que o motorista a levasse imediatamente.

O sanatório ficava encravado na encosta da montanha.

Quando encontrou Fernanda, a vilã não passava de uma casca esvaziada. Usando um uniforme hospitalar cinzento, ela estava encolhida num canto, os cabelos emaranhados e a pele num tom cadavérico assustador.

Seus lábios pálidos moviam-se numa ladainha sussurrada e maníaca.

— Por que me traiu? Por que me traiu? Por que me traiu?

Ela estava trancada sozinha em uma cela acolchoada de isolamento.

Bruna virou-se para o psiquiatra. — O que ela fica resmungando o tempo todo?

— Pode ser delírios paranoicos ou fragmentos de um trauma real. O mundo de um doente mental é composto por espelhos fraturados da realidade e fantasias terríveis.

— É seguro eu entrar para vê-la?

O médico franziu a testa, reprovador. — Não aconselho. O quadro clínico dela é extremamente instável.

De repente, a figura no canto parou a cantilena e ergueu os olhos. Ao reconhecer o rosto de Bruna, a loucura insana tomou conta de suas pupilas. Ela saltou do chão e atirou-se em direção ao vidro blindado como uma fera ensandecida.

O psiquiatra bateu a pesada porta protetora rapidamente.

Por trás do vidro espesso, Fernanda esmurrava a barreira com violência bestial. Os olhos estavam vermelhos de fúria maníaca enquanto ela cuspia ofensas enlouquecidas.

— Bruna Moraes! É tudo culpa sua! Você arruinou a minha vida e me enfiou neste inferno! Eu vou rasgar a sua garganta! Eu vou matar você!

Ela socava a divisória de vidro sem se importar com a própria dor.

A intensidade aterradora daquela crise esquizofrênica fez o sangue de Bruna gelar. A loucura crua diante de seus olhos a fez dar um passo trêmulo para trás.

O médico fitou Bruna, analisando a situação.

— Presumo que existisse uma hostilidade brutal entre vocês no passado?

Bruna engoliu em seco e concordou com um aceno rígido. — Você poderia dizer isso.

— Sugiro que não retorne a este lugar. A sua presença é o gatilho principal que desencadeia episódios violentos na paciente. Precisamos mantê-la sedada.

Sem outra alternativa, Bruna virou as costas e deixou o asilo.

Afastando-se dos portões daquele cemitério de mentes, a confusão nublava seus sentimentos. Ela não sabia ao certo o que sentir diante da destruição da inimiga.

A obsessão doentia de Fernanda por Uriel havia pavimentado seu próprio caminho para a loucura total, destruindo sua juventude e sanidade num abismo sem volta.

Bruna ergueu o rosto, piscando incrédula e avaliando-o com um deboche cético disfarçado.

Como se as antigas tragédias culinárias do grande CEO ainda assombrassem o seu paladar.

Sob a análise inquisidora da esposa, as lembranças do seu primeiro fracasso cozinhando assaltaram a mente de Uriel. Ele pigarreou e desviou o olhar, sentindo as orelhas queimarem de constrangimento.

— Andei praticando em segredo nos últimos dias.

Roçando os dedos no nariz para mascarar a vergonha, ele não se atreveu a encará-la; apenas puxou-lhe a mão e guiou-a até a sala de jantar.

A casa estava envolta na quietude noturna.

Valentina e Renan já haviam se retirado para descansar cedo, e certamente a pequena Ângela Braga fora levada para os aposentos deles.

No primeiro andar imerso no silêncio, restavam apenas Bruna e Uriel.

No centro da mesa, uma tigela fumegava em temperatura reconfortante.

Era uma sopa de macarrão de caldo cristalino. No topo, descansava um ovo perfeitamente escalfado, folhas frescas de espinafre e belos camarões descascados e refogados com esmero.

A apresentação digna de um chef de alta classe exalava um aroma magnífico e de dar água na boca.

Bruna arregalou os olhos. Tamanho milagre gastronômico fora forjado naquelas mãos inexperientes em tão pouco tempo?

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