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Meu Amor, Meu Traidor romance Capítulo 745

Aquele não era, em hipótese alguma, um toque suave e provocativo como o que ela oferecera minutos antes.

Os lábios masculinos a devoraram sem clemência, invadindo sua boca com uma intensidade que lhe extirpou o fôlego.

Um beijo imperioso, tirânico, que clamava domínio absoluto.

Subjugada por tamanha fúria passional, Bruna arqueou o pescoço e apenas correspondeu às exigências, deixando-se conduzir pelo furacão.

O torpor durou até que a mão áspera deslizou para a barra da blusa dela, prestes a expor sua pele morna à friagem do quarto.

Num reflexo desesperado, Bruna prendeu o pulso dele com força.

Uriel abriu os olhos turvos pela luxúria. A escuridão das íris contrastava com um avermelhado febril, denunciando o controle que lutava para recuperar.

— O que foi? — ele ofegou, a voz terrivelmente grave.

As cordas vocais carregavam todo o peso do desejo interrompido.

— Nossa filha... está dormindo logo ali.

— Eu a levo para o quarto da minha mãe agora mesmo.

Homem de ação como sempre fora, já estava recolhendo a postura para cumprir o que dissera.

A mulher agarrou-lhe a gola, puxando-o de volta.

Apesar de ter perdido muitos pudores convivendo com o marido, bater na porta da sogra de madrugada, entregando a neta aos prantos, deixaria cristalino o que o casal planejava aprontar.

E Bruna se recusava a protagonizar um papel tão vergonhoso.

— Não... Valentina já deve estar no décimo sono. Deixe isso para amanhã.

Evitando aquele olhar abrasador, empurrou o peito dele de leve, encolheu-se no seu lado da cama e envolveu-se na coberta espessa como se formasse uma barricada impenetrável.

Inconformado, ele fuzilou o pequeno casulo de tecidos.

O incêndio já tomava conta de suas veias, e ela esperava que um balde de gelo imaginário resolvesse a situação?

Sem palavras, a esposa apontou enfaticamente em direção ao banheiro.

A contragosto e amaldiçoando baixinho, não teve outra saída senão encarar uma ducha gelada.

Quando retornou, enfiou-se entre os lençóis virando as costas. Apenas a nuca úmida serviu de paisagem para a companheira.

A birra de menino contrariado exalava por todos os poros do magnata.

Culpada, Bruna cutucou-lhe as costas musculosas. — Não fique com raiva, querido. Tá bom, prometo que não te beijo mais... nunca mais.

Era, claramente, uma chantagem barata.

E funcionou perfeitamente. Como uma mola, ele girou e disparou dardos invisíveis pelos olhos.

— Você sabe muito bem que não é por isso que estou contrariado.

Ignorando o ressentimento e transbordando um sorriso maroto, ela murmurou: — Olha só quem finalmente virou para mim.

Era um sacrifício compreensível para alguém na posição dele.

Enquanto a probabilidade de um erro fatal pairasse sobre Uriel, realizar uma ponte aérea era um detalhe ínfimo.

— Conversarei com o Uriel hoje à noite. Deixarei os preparativos nas suas mãos, amiga. Muito obrigada.

Segurou a mão de Paloma com uma devoção quase religiosa.

A outra acenou, descartando o agradecimento, exibindo um sorriso pálido.

— Bobagem, amigas existem para essas horas. Vamos logo, preciso dos seus olhos clínicos para renovar meu guarda-roupa.

Bruna bateu no peito, radiante.

— Pode confiar na melhor consultora de estilo do país. Você não vai se decepcionar!

Era intrigante o fato de Bruna sequer questionar a fonte daquela informação preciosa, e Paloma não se apressar em elaborar uma desculpa.

A intuição de Bruna, lapidada por anos no ambiente corporativo, lhe soprou que a amiga estava com um fardo gigantesco nas costas e logo cobraria o favor.

O bloqueio evidente na fala revelava vergonha ou medo.

Pois que fosse no tempo dela. A paciência seria sua maior aliada.

Entre vitrines reluzentes e sacolas de grife, os risos cessaram ao esbarrarem com um burburinho ruidoso vindo de uma requintada loja infantil.

— Eu já repeti mil vezes que não preciso dos seus presentes estúpidos para aceitar desculpas! Será que o seu cérebro não processa português?

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