No dia seguinte.
Samuel, com enormes olheiras, entregou o relatório de investigação sobre Bonifácio a Uriel.
O olhar de Uriel varreu brevemente o rosto de Samuel enquanto ele pegava o dossiê e dizia:
— Peça o bônus deste mês.
Os olhos de Samuel se encheram de lágrimas; ele quase se ajoelhou para agradecer a Uriel.
As informações sobre Bonifácio eram bastante diretas.
A mãe era a herdeira de uma família rica da Capital, e o pai, um magnata de Vereda da Serra.
Sendo mestiço, ele viajava entre os dois países desde criança, familiarizando-se com as línguas e culturas de ambos.
Seu currículo era impressionante. Formado em finanças, assumiu a empresa em tenra idade e, em apenas dois anos, expandiu os negócios no exterior para vários países.
Ele não apenas prosperava no exterior, mas também possuía ativos na Capital, herdados da família de sua mãe.
Podia-se dizer que Bonifácio era um talento raro.
Quanto mais Uriel lia, mais sua testa se franzia.
Samuel perguntou a Uriel: — Sr. Braga, há algum problema?
Uriel baixou o dossiê e perguntou a Samuel.
— As relações pessoais de Bonifácio, não as tem?
Samuel respondeu, embaraçado.
— Suas conexões são muito extensas...
— Não quero os contatos comerciais comuns. Preciso das suas relações próximas. Quero isso hoje.
Uriel falou com frieza, depois olhou novamente para as olheiras de Samuel e disse calmamente: — Bônus em dobro.
Samuel, que estava desanimado, instantaneamente se iluminou ao ouvir aquilo.
— Sim, sem problemas!
Só um tolo recusaria dinheiro.
Dormir? O que era isso perto de dinheiro!
Samuel saiu.
Uriel recebeu uma ligação da delegacia e foi interrogado pela polícia.
Uriel franziu a testa, percebendo que algo estava errado com o estado dela.
Parecia um problema mental.
— Silêncio! — gritou um policial, e só então Fernanda se acalmou.
Depois que os policiais saíram, Uriel olhou para Fernanda, sentada à sua frente.
— Posso te salvar, mas você precisa me contar tudo. Não há ninguém aqui, pode dizer o que quiser.
Fernanda se agarrou àquilo como se fosse sua última esperança.
Ela olhou ao redor para se certificar de que não havia ninguém e começou a falar lentamente.
Suas pupilas estavam um pouco dilatadas, como se ela estivesse falando apenas por instinto de sobrevivência.
Ela não considerou que suas palavras seriam uma confissão direta de seus crimes.
Em outras circunstâncias, ela nunca teria se sentido segura em um ambiente só por não haver câmeras.
Mas Uriel estava lá.
Uriel era a única pessoa no mundo em quem ela podia confiar.

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