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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 231

Ponto de vista de Apollo.

Meu corpo se moveu antes que a minha mente pudesse sequer processar o que havia acontecido.

Eu a amparei enquanto ela caía.

O som de pessoas gritando, de minha sogra chorando, dos policiais agarrando Sarah novamente — tudo se transformou em um ruído distante, como ecos sob a água. Nada daquilo me alcançava. A única coisa que existia era o peso de Grace desabando em meus braços.

O corpo dela parecia mais frio do que deveria.

— Grace! — Eu bavejei, mas a voz não parecia minha.

Me abaixei com nós dois cuidadosamente até o chão, a embalando contra o meu peito como se eu pudesse protegê-la do estrago que já havia sido feito. A respiração dela, que estava estável momentos atrás, estava desacelerando sob a minha mão que ainda permanecia em seu ventre.

Pressionei a palma ali instintivamente, balançando a cabeça como se a negação por si só pudesse reverter a realidade.

— Não... não...

Eu sempre fora um homem que nunca teve dificuldades para distinguir sonhos da realidade, mesmo quando minha vida esteve cheia de pesadelos fantasiados de verdade, mas naquele momento, desejei desesperadamente que aquilo fosse uma daquelas ilusões. Desejei acordar em nossa cama com ela encolhida contra mim, reclamando do quão apertado eu a segurava durante a noite.

— Grace! Não! Meu bebê! — Os gritos angustiados da senhora Jones me sacudiram de volta para uma realidade brutal da qual eu não podia escapar e, quando minha mão tocou o ventre dela, meu coração congelou. Meus dedos pressionavam a umidade quente que gelou meu sangue; um sangue que não era meu, mas dela, e a visão roubou todo o pensamento racional da minha mente.

— Grace... — Murmurei com a voz baixa, quase quebrada, meu corpo inteiro tremendo com o desespero que eu não conseguia esconder.

Ryan surgiu imediatamente ao meu lado, as mãos pairando antes de tocá-la, e percebi pela primeira vez que nunca o tinha visto daquela forma. Seu rosto normalmente composto estava pálido, os olhos arregalados com um medo genuíno que parecia consumi-lo de dentro para fora, e ele murmurou, com a voz baixa, quase silenciosa demais para que eu ouvisse:

— O-o pulso dela... está fraco...

Cerrei meus punhos, minha respiração pesada e irregular, minhas veias pulsando com fúria e impotência ao ver o pânico nos olhos dele — o mesmo pânico que sentia crescer em mim —, e ele continuou:

— Não parece que ela vai sobreviver a isso.

O som dos soluços da senhora Jones ficou mais alto. O silêncio do meu pai era pesado enquanto ele segurava o próprio peito, tomado pelo medo.

Meu olhar obscureceu instantaneamente, meu controle escapando como areia por entre meus dedos, então agarrei Ryan pelo colarinho. Meu tom de voz mortal, um aviso que não estava aberto a discussões:

— Fale mais uma besteira e eu te mato.

Ryan sustentou meu olhar, balançando a cabeça enquanto sussurrava:

— Ela é a minha irmãzinha, Apollo. Você acha que eu não sei o que estou dizendo?

— Eu não estou nem aí! — Rosnei, de dentes cerrados, meus dedos cravando-se na camisa dele como se eu pudesse transferir minha fúria para o seu corpo.

— Atenda ela agora mesmo, ou...

Minhas palavras foram cortadas quando minha mão foi subitamente envolvida pela dela. Sua mãozinha pálida buscou a minha, e meu coração se despedaçou diante da fragilidade daquele aperto, e diante do calor que ela ainda conseguia me oferecer apesar de tudo.

Seus lábios se curvaram em um sorriso fraco, e ela murmurou:

— Está tudo bem, Apollo... O Ryan é um dos melhores médicos do país... ele sabe o que está fazendo.

Balancei a cabeça, tentando impedir que o pânico transbordasse de mim, mas as lágrimas no rosto de Ryan e os soluços desamparados da Sra. Jones e de Theodore só tornavam as coisas piores.

A voz de Grace cortou o caos:

— Apollo... eu te amo.

Meu peito se contraiu, minha garganta apertou, e balancei a cabeça:

— Eu vou te salvar, nem que para isso eu tenha que entregar a minha vida ao diabo. Que se dane, eu te salvarei mesmo se tiver que ir até o céu e lutar contra Deus. Não vou deixar ninguém tentar tirar você de mim, você é minha, Grace.

Os lábios dela se moveram em um sorriso tênue, mesmo em meio à dor e à exaustão, e ela sussurrou:

— Eu tenho sorte de ter te conhecido, Apollo... é só... triste que o nosso bebê não vá conseguir te conhecer.

Aquelas palavras me congelaram. Meu coração martelou no peito enquanto olhei para o ventre dela e compreendi. Todos na sala arregalaram os olhos, a gravidade da situação desabando ao nosso redor, e Theodore, já chorando, engasgou com as palavras: — Você está... grávida, Grace?

A mão dela estremeceu enquanto ela se forçava a assentir, a voz quase inaudível:

— S-sim.

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