Dias Atuais.
Ponto de vista de Apollo.
Olhei para ela, os olhos dela se arregalaram como se o cérebro finalmente tivesse lembrado o que ela fez na noite passada. A realização se espalhou pelo rosto dela, lenta e inevitável.
Ela abriu a boca, mas fechou logo em seguida. Uma decisão sábia, considerando que qualquer coisa que fosse dizer seria inútil.
Meu olhar desceu. O lençol se agarrava ao corpo dela. Eu podia ver o contorno dos quadris, o volume do peito, os mamilos macios marcando o tecido. Ela estava mal coberta.
Quando meus olhos voltaram para o rosto dela, ela me encarava com aquela mesma expressão inocente.
Soltei o ar com força e pressionei a mão contra a têmpora.
Essa mulher era uma droga de uma dor de cabeça.
Desde que apareceu, nada tinha saído como planejado. Meus dias costumavam começar e terminar exatamente como eu queria, com reuniões previsíveis e resultados calculados. Mas agora, nada seguia como eu pretendia. E meu autocontrole estava por um fio.
Foi por isso que eu fiz o acordo. Não tinha nada a ver com querer ela de forma romântica. Eu não fazia romance. Eu fazia lógica. Achei que se satisfizesse qualquer interesse primitivo que eu tivesse nela, tudo voltaria ao normal. Mas a noite passada provou o contrário.
Na noite passada, ela me reduziu a um homem que eu não reconhecia.
Impaciente, frustrado, completamente consumido pela necessidade de tocar nela, eu mal conseguia manter as mãos quietas.
Eu nunca precisei me segurar tanto para ter o que queria.
Ela se mexeu na cama e murmurou:
— Hmm…
Ergui uma sobrancelha quando ela mordeu o lábio.
Um hábito perigoso.
— E-eu sei que o que aconteceu foi imperdoável. — Ela começou. — Mas eu realmente peço desculpa, senhor—
— Vejo que você gosta mesmo de pedir desculpas. — Cortei, sem desviar o olhar.
— É praticamente um reflexo seu.
Ela engoliu em seco e virou o rosto, evitando meus olhos. Agora, parecia uma criança sendo repreendida por roubar doce escondido.
Com um suspiro, cruzei os braços e me apoiei no sofá.
— O que exatamente você fez de errado, senhorita Grace? — Perguntei.
A cabeça dela se inclinou levemente na minha direção, mas logo se virou de novo. Ela prendeu uma mecha solta atrás da orelha.
— Eu fiquei bêbada… e causei problemas pra você.
— "Problemas" é uma palavra bem generosa, não acha? — Falei friamente.
— Primeiro, você fez um escândalo na minha empresa. Depois, me chamou de "daddy" na frente de um funcionário.
Os dedos dela apertaram o lençol com mais força ao redor do corpo.
— Segundo, você me beijou sem a minha permissão.
A cabeça dela se ergueu de repente, pânico brilhando nos olhos.
— Eu—
— Isso. — Interrompi, seco.
— Pode ser considerado assédio sexual.
Ela se endireitou, os olhos arregalados, a boca entreaberta.
— Não! Eu não quis…
Olhei para ela. As palavras morreram na garganta, engolidas pela vergonha. Ver ela se contorcendo daquele jeito foi mais satisfatório do que eu esperava.
— E depois — continuei, levantando-me e enfiando as mãos nos bolsos — você me fez te carregar até o meu escritório, piorando ainda mais a minha agenda já lotada.
— …
— Depois, ficou grudada em mim como uma criança que não solta o ursinho. — Continuei, com os lábios se curvando levemente, sem nenhum traço de humor.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...