Ponto de vista de Apollo.
Seis anos depois.
Permaneci em silêncio diante do túmulo, com o olhar fixo no nome esculpido na pedra enquanto a neve caía de forma constante do céu cinzento, acumulando-se nos meus ombros e na superfície de mármore à minha frente. Apertei o cabo do buquê de lírios brancos na minha mão. Minha outra mão continuava enterrada no fundo do bolso do meu casaco preto, o tecido grosso me protegendo do frio do inverno, embora nada pudesse me proteger do frio que habitava o meu peito nos últimos seis anos.
Seis anos.
Faziam seis anos desde o dia do acidente, e no entanto, não havia se passado um único dia sem que aquela memória se repetisse na minha mente. Eu tentei enterrá-la, mas não importava o quanto eu conquistasse ou o quão alto eu subisse, aquele dia me seguia como uma sombra que se recusava a descolar.
Eu desejei ter sido mais rápido, desejei ter reagido antes. Desejei ter feito uma escolha diferente naquele único e irreversível segundo. Talvez, então, eu não tivesse perdido ninguém. Talvez, então, as coisas tivessem sido diferentes.
Aquele arrependimento havia se tornado uma das poucas emoções que eu nunca conseguia suprimir.
Nos seis anos que se seguiram, todo o resto do mundo pareceu avançar sem hesitação. A Corporação Reed não apenas continuou sendo a mais poderosa do mundo, como cresceu ainda mais forte, expandindo-se para indústrias que antes pareciam intocáveis. Após o acidente, as famílias Reed e Jones deram-se as mãos em grandes negócios, solidificando uma aliança que reformulou completamente o cenário empresarial.
Ryan ainda era um dos médicos mais renomados do país, respeitado e admirado tanto por sua habilidade quanto por sua liderança. Theodore continuava vivendo exatamente como queria, dominando a indústria do entretenimento enquanto fingia não se importar com a influência que carregava. Meu pai deixou tudo para trás no ano passado, anunciando que queria viajar pelo mundo e descansar após décadas de ambição. Até a Sra. Jones havia encontrado alguém novo recentemente.
Todos estavam bem.
Todos haviam encontrado uma maneira de continuar vivendo.
E no entanto, às vezes eu sentia como se fosse o único que permanecia parado naquele momento de seis anos atrás, incapaz de desapegar totalmente, não importava quanto tempo passasse.
Baixei os olhos para as flores na minha mão, as observando por um breve segundo antes de me inclinar ligeiramente e colocá-las com cuidado sobre o túmulo, afastando uma fina camada de neve enquanto fazia isso. As pétalas brancas destacavam-se nitidamente contra a pedra cinza.
Estendi a mão e apoiei-a contra a superfície fria, meus dedos demorando-se ali mais do que o necessário enquanto falava baixinho, minha voz mal audível acima do vento.
— Que você descanse em paz. Obrigado por sempre estar lá por mim, eu vou viver a minha vida da melhor maneira possível.
As palavras não foram dramáticas, nem emotivas. Eram simplesmente uma promessa.
Endireitei o corpo e olhei para o túmulo uma última vez antes de me virar.
— Vamos. — Disse calmamente.
Chase, que vinha mantendo uma distância respeitosa atrás de mim o tempo todo, assentiu e seguiu-me enquanto caminhávamos em direção ao carro. A neve esmagava-se suavemente sob os nossos sapatos a cada passo.
— Srenhor Reed. — Disse ele, com a voz baixa e cautelosa.
— A penitenciária acabou de ligar.
— Disseram que a Sarah morreu... por envenenamento. Aparentemente, ela sofreu por muito tempo lá dentro. Algumas das detentas estão dizendo que foi um castigo de Deus; já que ela envenenou outros até a morte antes, dizem que Deus devolveu a ela da mesma forma.
— Esta manhã — ele continuou —, ela morreu com os olhos abertos. O corpo estava quase irreconhecível de tão magra e fraca que ela tinha ficado. O senhor River foi pessoalmente confirmar o corpo.
Ele olhou para mim, procurando qualquer indício de reação, mas não demonstrei emoções. Nem um vislumbre, nada que o permitisse ler através de mim.
Ele moveu-se à minha frente para abrir a porta do banco de trás, mas eu o impedi, colocando minha mão sobre a dele.
— As chaves. — Disse eu.
Ele piscou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...