Ponto de vista de Apollo.
Ela se encolheu com as minhas palavras, os olhos arregalados em choque como se genuinamente não esperasse que eu a tratasse daquela maneira, como se, em algum lugar de sua mente delirante, ela ainda acreditasse que guardava um pedaço do homem que eu costumava ser. Mas não lhe dei mais nenhum olhar.
Ela tentou cambalear em minha direção, apesar do sangue que escorria pelo seu braço, mas os policiais atrás dela reagiram imediatamente e a forçaram a cair de joelhos, imobilizando seus braços nas costas enquanto ela gritava meu nome como se ele ainda significasse algo para mim.
Não significava. O único nome que importava para mim naquele momento era Grace.
Voltei-me para ela instantaneamente e, quando nossos olhos se encontraram, vi que ela estava prestes a dizer algo, provavelmente para me tranquilizar de novo, como sempre fazia, e para me dizer que estava bem, mesmo depois de tudo o que havia suportado.
Não a deixei falar.
Dei um passo à frente e envolvi sua cintura com meus braços sem hesitação, puxando-a contra mim com tanta força que parecia que eu temia que ela fosse desaparecer se eu afrouxasse o aperto minimamente. Enterrei o rosto em seus cabelos e a respirei profundamente, segurando-a como se ela fosse o próprio ar de que meus pulmões precisavam para funcionar.
Ela paralisou em meus braços, claramente sem esperar aquela reação da minha parte, as mãos pairando desajeitadas no ar enquanto sussurrava:
— Apollo...
A apertei mais forte, com um braço travado firmemente em sua cintura enquanto a outra mão subia para embalar a nuca dela de forma protetora.
— Obrigado. — Murmurei, com a voz mais baixa que o habitual, mais rouca.
— Obrigado por não me deixar, Grace. Se você tivesse me deixado... eu não seria nada. Obrigado por esperar por mim.
Houve uma pausa antes de os braços dela lentamente se envolverem ao meu redor em retribuição, o corpo finalmente relaxando contra o meu. Senti-a sorrir de leve contra o meu peito, e em seguida, percebi algo quente molhar a minha camisa.
Levei um segundo para entender que eram lágrimas. Ela me abraçou com mais força e disse baixinho:
— Obrigado por vir nos buscar, Apollo. Obrigado por abandonar tudo por nós.
— Vir buscar você não foi abandonar nada, era o essencial. — Afastei-me um pouco para olhar o rosto dela.
— E eu não vim pelo River, mas é bom ver que o River ainda está respirando. Aquele idiota se recusa a morrer.
Ela soltou uma risadinha com aquilo, mas logo balançou a cabeça. — Não... não é o River.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...