Ponto de vista de Apollo.
Fiquei parado diante das janelas do chão ao teto do meu escritório, com a linha do horizonte se espalhando abaixo de mim como uma pintura de que eu já tinha me entediado. O vidro refletia vestígios da minha própria silhueta: mãos nos bolsos, gravata frouxa e o maxilar cerrado.
Atrás de mim, uma voz familiar quebrou o silêncio.
— Senhor Apollo.
Não me virei imediatamente. Eu já sabia quem era. Quando finalmente olhei por cima do ombro, Austin estava curvando a cabeça levemente, parado logo na entrada da porta.
— Senhor Apollo. — Disse ele novamente, agora mais ereto.
Analisei-o de cima a baixo. As rugas ao redor dos olhos dele estavam um pouco mais suaves. Sua pele tinha recuperado um pouco de cor. Ainda assim, o homem tinha cinquenta e oito anos; não deveria estar aqui de pé.
— Você consegue dirigir? — Perguntei, mantendo o tom neutro.
— Deveria descansar por mais um tempo.
Austin deu um pequeno sorriso e balançou a cabeça.
— Não precisa se preocupar comigo, senhor Apollo. O médico me deu alta. Posso dirigir, caminhar e fazer tudo o que costumava fazer. Estou bem, senhor.
Não respondi, e ele continuou:
— E além disso, se eu não o levar, o senhor não comparecerá à festa.
— Então não há nada que possamos fazer a respeito. Tenho coisas melhores para fazer do que ouvir as reclamações intermináveis do meu pai ou ver minha prima falando asneiras o tempo todo.
Austin curvou-se novamente.
— Eu entendo, senhor Reed. Mas por favor, faça uma aparição. Me pediram para trazê-lo pessoalmente. Seu pai ficou decepcionado da última vez.
Claro que ficou.
Aquele velho dedicava a alma a essas festas de aniversário ridículas. Não era uma celebração, era um espetáculo. Um lugar para política, dinheiro, orgulho e os mesmos nomes circulando uns aos outros como abutres. Cada vez que eu ia, saía me sentindo sufocado. Por isso parei de ir, mas desta vez, ele enviou Austin.
Ele sabia que Austin era uma das poucas pessoas que poderiam me fazer mudar de ideia. Velho astuto.
Sem dizer mais nada, passei por ele. Ouvi os passos de Austin me acompanhando logo atrás.
A descida de elevador foi silenciosa. Quando chegamos à recepção e as portas se abriram, eu parei. A noite passada se repetiu na minha mente: o jeito que ela entrou bêbada e causou uma cena antes de apagar. A voz dela. Os lábios dela. Aqueles olhos que sempre se arregalavam a cada movimento ousado que eu fazia. E a respiração falha dela sempre que eu a tocava.
— Austin. — Eu disse.
— Sim, senhor?
— Você não tem uma filha com mais de vinte anos, tem?
Ele piscou.
— Perdão?
Inclinei a cabeça levemente, com o olhar frio.
— E uma sobrinha?
Austin parecia genuinamente confuso agora.
— Não, senhor. Não tenho família nem parentes.
Assenti, embora já soubesse disso.
— É uma pena.
Ele franziu a testa, claramente sem entender o que eu queria dizer.
— Eu estava apenas me perguntando — disse eu, com os lábios se curvando num leve sorriso de canto —, se é uma tendência geracional as mulheres mais jovens serem loucas, ou se é apenas ela.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...