Ponto de vista de Grace.
— Caramba, quem é aquela com os Jones? Ela é tão linda.
— Nem me fale. Ela é maravilhosa, e até se parece com os Jones. Poderia realmente fazer parte da família, ela se encaixa perfeitamente na aura deles.
— Fale baixo! Não deixe a Senhorita Katherine ouvir você. Ela é a filha dos Jones, vai ficar furiosa se escutar isso.
— Então por que os Jones estão andando com aquela mulher? Eles parecem tão protetores com ela...
As vozes flutuavam ao meu redor enquanto eu caminhava pelo imenso edifício do Grupo Jones, com minha mãe ao meu lado e meus dois irmãos mais velhos nos seguindo de perto. Minha expressão permaneceu calma e impassível; ignorei cada sussurro e cada olhar curioso que nos acompanhava pelo suntuoso saguão. O piso de mármore ecoava a cada passo que dávamos, e eu podia sentir os olhos queimando em minhas costas vindos de todas as direções, mas não diminui o passo nem olhei ao redor.
Avançamos com firmeza, e quando nos aproximamos da grande sala de conferências, já dava para ouvir o alvoroço lá dentro. Os repórteres estavam reunidos além das portas fechadas, suas vozes se sobrepondo.
— Por que os Jones de repente convocaram uma coletiva de imprensa? — Alguém perguntou.
— O que aconteceu? Eles quase nunca fazem isso.
— Não sei. — Outro respondeu, abaixando o tom de voz.
— Mas a julgar pela urgência, deve ser algo sério. Eles devem ter um anúncio importante para fazer.
Parei do lado de fora da porta por um momento, meus olhos fixos na madeira elegante à minha frente, escutando em silêncio enquanto as vozes filtravam. Ao meu lado, minha mãe virou-se ligeiramente e me olhou com preocupação. Ela segurou minha mão com doçura, seu aperto caloroso e zeloso, como se temesse que eu pudesse desaparecer se me soltasse.
— Você está bem, Grace? — Perguntou ela suavemente.
— Podemos voltar para casa se você quiser. Você só descansou por duas semanas.
Virei a cabeça e olhei para ela, então balancei a cabeça devagar. — Não. — Respondi calmamente.
— Eu estou bem. O Ryan disse que não há nada de errado comigo.
Olhei de relance para Ryan, que permanecia em silêncio por perto, com sua postura composta e ilegível, os olhos firmes ao encontrarem os meus.
Haviam se passado duas semanas desde tudo o que aconteceu naquela casa, duas semanas desde que meu mundo havia mudado de formas que eu ainda tentava compreender. Durante esse tempo, minha mãe e meus irmãos insistiram para que eu fosse para casa com eles e deixasse que cuidassem de mim. Mas eu recusei. Eu não queria deixar o Apollo. Eu sequer sabia quando ou como havia acontecido, mas em algum momento dessa jornada, ele havia se tornado a minha âncora. Passar um único dia sem vê-lo fazia meu peito doer de uma forma que eu não sabia explicar.
Por isso, fiquei naquela casa, esperando por ele, contando as horas até que ele voltasse do trabalho. Às vezes, ele nem sequer ia trabalhar por minha causa. Ficávamos juntos ali dentro, conversando baixinho ou simplesmente sentados em silêncio, e esses momentos faziam o peso no meu coração aliviar, mesmo que só um pouco.
Mas por alguma razão, minha mãe e meus irmãos não gostavam nem um pouco disso. Eles vinham quase todos os dias, como se aquela casa pertencesse a eles, especialmente minha mãe e o Theodore. Eles ficavam por horas, conversando comigo sem parar, tentando se aproximar e se inserir em cada parte da minha vida até que eu estivesse cansada demais para argumentar e exausta demais para pensar. Só então eles finalmente iam embora, prometendo voltar no dia seguinte.
A única vez que eu realmente via o Ryan era quando ele vinha me examinar. Sempre que chegava, ele calmamente mandava minha mãe e o Theodore saírem, dizendo-lhes que eu precisava de descanso adequado. Ele sempre falava naquele tom profissional e sensato dele, do tipo com o qual era difícil de discutir.
Dizia a mim mesma que provavelmente estava pensando demais, mas às vezes ele ficava mais tempo do que o necessário, sentado ali e conversando comigo sobre assuntos aleatórios, quase como se quisesse passar um tempo comigo em vez de apenas cumprir seu dever. Em outras ocasiões, ele ficava até o Apollo voltar e saía logo em seguida, então me convenci de que não era nada e que meus pensamentos estavam apenas correndo soltos.
Adam, o pai de Apollo, também nos visitava. Ele vinha quase com a mesma frequência que minha mãe, o que honestamente, me surpreendia. Vê-los no mesmo espaço ainda parecia estranho, mas eles não discutiam nem se encaravam com hostilidade da forma como eu previra. Eles não eram perfeitos, e eu sabia que a dor entre eles não havia desaparecido, mas também não permitiam que o rancor transbordasse. Agiam de maneira contida e civilizada, como se estivessem todos tentando, à sua própria maneira, seguir em frente e viver suas vidas o mais plenamente possível. Pensar nisso fez um pequeno sorriso curvar meus lábios.
Minha mãe abriu a boca, provavelmente prestes a me dizer para descansar de novo, mas balancei a cabeça antes que ela pudesse terminar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...