Ponto de vista de Grace.
Me sentei na beirada da cama e puxei o ar de forma lenta e trêmula, mas até mesmo essa ação simples pareceu pesada, como se meus pulmões estivessem lutando para conseguir oxigênio suficiente. Meu corpo inteiro parecia estar me falhando depois de tudo o que havia acontecido hoje.
Eu nem sabia como tinha conseguido permanecer consciente durante o dia todo sem desmaiar novamente. Minha cabeça estava leve, meus membros dormentes, e precisei de todas as minhas forças apenas para me manter ereta por mais alguns segundos.
Eu vinha guardando o luto por Hannah desde o momento em que soube da notícia, mas, lá atrás, eu ainda conseguia me forçar a manter a compostura, dizendo a mim mesma para ficar firme e não desmoronar. Mas agora era diferente. A fraqueza ia mais fundo, entranhando-se nos meus ossos.
Eu me sentia tão frágil que Apollo teve que me amparar apenas para me colocar no carro, com a mão firme em minha cintura, como se temesse que eu fosse desabar a qualquer momento. Quando chegamos em casa, a náusea revirava violentamente no meu estômago e minha visão girava tanto que achei que fosse vomitar ali mesmo.
Soltei um suspiro baixo e me deitei de costas na cama, meu corpo afundando no colchão enquanto eu encarava o teto. Era branco, liso, completamente comum, sem nada de especial, mas meus olhos permaneciam fixos nele, como se desviar o olhar fosse, de alguma forma, tornar tudo pior. Às vezes, não importa o quão normal algo seja, você ainda fixa os olhos naquilo, esperando que sirva de distração, esperando que acalme o caos na sua mente. Mas eu sabia que não era assim. Um teto simples não podia apagar o que eu descobrira hoje.
Depois que tudo veio à tona, meu mundo só se tornou mais confuso em vez de mais claro. Descobri que meu pai e a mãe de Apollo nunca tiveram um caso, descobri que a mulher que eu chamava de mãe já fora empregada da minha mãe real, e que ela havia me trocado por sua própria filha, Katherine, apenas para que sua criança pudesse ter uma vida feliz e confortável.
Descobri que meus irmãos e o homem que eu amava nunca se odiaram de verdade, que estiveram trabalhando juntos em segredo todo esse tempo para caçar a assassina.
Uma revelação atrás da outra desabou sobre mim, acumulando-se tão rápido que minha mente mal teve tempo de processar qualquer uma delas.
Suspirei novamente e levei a mão à cabeça, pressionando os dedos contra a têmpora conforme uma dor surda começava a latejar.
Foram reviravoltas demais para um único dia, verdades demais desenterradas de uma só vez, e agora minha cabeça parecia prestes a rachar.
Mais cedo, quando Apollo me disse que eles estavam perto de encontrar a assassina, eu quis dizer algo, qualquer coisa, mas então a tontura me atingiu. Apollo notou imediatamente. Antes que eu pudesse protestar, ele me pegou nos braços e me carregou dali, embora eu quisesse ter ficado, porque sentia que devia algo a Adam e à minha mãe biológica.
Eu era o motivo de eles estarem sofrendo. Eu deveria ter permanecido lá e assumido a responsabilidade pelas emoções e pela dor deles. E no entanto, apesar do quão terrível se sentiam, eles ainda permitiram que Apollo me levasse, dizendo-lhe para cuidar de mim enquanto eu era afastada.
E, como esperado, minha mãe adotiva implorou pelo meu perdão, chorando e suplicando para que eu poupasse a ela e ao seu marido. Eu sequer tive a chance de responder. Minha mãe verdadeira perdeu o controle, sua raiva explodindo em um instante, e desferiu um golpe tão forte no rosto dela que a mulher desabou e desmaiou na hora. Fiquei completamente atônita, não esperava por aquilo.
Pelo que eu havia compreendido sobre minha mãe biológica, ela não era o tipo de mulher que perdoava as pessoas. E minha mãe adotiva não tinha apenas escondido a verdade sobre meu pai; ela havia roubado a filha dela e me maltratado por anos. Aquilo não era algo que pudesse ser ignorado.
Eu não tinha ideia do que aconteceria com ela depois disso, mas sabia de uma coisa: a vida da minha mãe adotiva estava acabada.
Eu me sentia mal por ela? Não, nem um pouco.
Essa constatação me chocou mais do que qualquer outra coisa. Não importa o quanto tivessem me machucado no passado, eu sempre cedia quando se tratava dos meus pais adotivos e encontrava desculpas para eles. Mas agora, deitada ali olhando para o teto, eu não sentia nada por eles.
Eu os havia arrancado completamente do meu coração.
Fechei os olhos, tentando bloquear tudo, quando senti algo quente roçar suavemente contra a minha bochecha.
Abri os olhos devagar e olhei para cima, encarando Apollo. Ele estava inclinado sobre mim, seu corpo pairando protetoramente acima do meu, o rosto tão próximo que eu podia sentir sua respiração. Seus olhos cinzentos estavam escuros e pesados de emoção, como se ele odiasse me ver daquela maneira.
O fitei por um longo momento. Normalmente, estar tão perto dele faria meu coração disparar e minha mente entrar em espiral de tanto pensar, mas agora, em vez de nervosismo, senti calma. Pela primeira vez no dia, meu peito não pareceu tão apertado. Eu me senti segura e feliz por saber que ele estava ali, ao meu lado.
Inclinei a cabeça de leve e sorri para ele. Erguendo a mão, toquei seu rosto, meus dedos roçando sua pele antes de empurrarem delicadamente as mechas de cabelo preto para longe de sua testa. Ele não se moveu nem me impediu, apenas me observou em silêncio, como se cada pequeno gesto importasse. Tracei sua bochecha de leve e sorri de novo.
— Apollo — disse baixinho, a voz um pouco rouca —, minha vida mudou desde a primeira vez que te conheci, e por alguma razão, você sempre está lá comigo, em cada uma dessas mudanças.
Ele não respondeu, mas seu olhar nunca deixou o meu. Era intenso, como se nada mais no mundo existisse além de mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...