Ponto de vista de Grace.
A sala mergulhou em um silêncio absoluto. Se alguém deixasse um alfinete cair, eu tinha certeza de que todos ouviriam.
Todos os repórteres congelaram onde estavam, com os olhos arregalados e as bocas entreabertas enquanto me encaravam. Lentamente, deslocaram seus olhares para minha mãe e meus irmãos, como se esperassem que eles se levantassem e me enxotassem dali por ousar proferir algo tão ultrajante. Mas minha mãe não se moveu, e nem Ryan ou Theodore esboçaram reação.
Eles simplesmente continuavam ali sentados, com a atenção inteiramente fixada em mim, como se mais ninguém existisse naquele recinto. Vendo aquilo, os repórteres ficaram ainda mais confusos, trocando olhares cúmplices, claramente sem entender o que estavam presenciando.
Por alguns longos segundos, ninguém se manifestou. Então, finalmente, uma repórter pareceu despertar do estado de choque. Ela pigarreou e perguntou cautelosamente:
— A senhorita está alegando ser a filha há muito perdida da família Jones. Isso é verdade? Foi comprovado por meio de um teste de dna? E como exatamente você se perdeu, para começo de conversa? Pelo que é de conhecimento público, a única filha da família Jones é Katherine. Existe algum tipo de mal-entendido aqui?
Olhei diretamente para ela, consciente das dezenas de olhos que vigiaviavam cada movimento meu, esperando por uma hesitação, esperando que eu tropeçasse nas palavras e recuasse.
É claro que estavam confusos. O mundo não sabia a verdade sobre Katherine, e para eles, minhas declarações deviam soar como uma mentira deslavada ou uma tentativa desesperada de chamar atenção. Provavelmente esperavam que eu desviasse do assunto ou desse uma resposta vaga. Mas havia uma razão para eu ter trabalhado como agente de relações públicas.
Aproximei o microfone, erguendo-o com calma e mantendo-o perto da boca, minha expressão firme e composta.
— Para responder à sua pergunta — disse uniformemente, mantendo a voz serena —, sim, é verdade. Eu sou a verdadeira filha da família Jones, e um teste de dna confirmou isso.
Pausando brevemente antes de continuar, selecionei minhas palavras com cautela:
— Eu fui dada como perdida por causa de um erro.
Não elaborei sobre que erro teria sido esse. Nem tudo precisava ser arrastado para a luz, e revelar os pormenores só criaria mais caos e um drama desnecessário. Pude sentir a desconfiança na sala se intensificar, mas não vacilei.
Ergui ligeiramente o queixo e prossegui:
— Katherine e eu fomos trocadas na maternidade. Por causa disso, eu fui dada como perdida. Mas agora, fui encontrada. E agora, vou retomar o meu lugar.
Os repórteres escutavam minhas palavras em um silêncio atônito, suas expressões oscilando entre a incredulidade e a curiosidade, até que um deles finalmente tomou a palavra:
— Senhorita, lamento dizer isso, mas embora sua história seja... de certa forma verossímil, como podemos saber se está dizendo a verdade? Talvez se nos deixasse ver o teste de dn...
Ele não conseguiu terminar.
A mão da minha mãe bateu contra a mesa com um estrondo agudo e ecoante que fez várias pessoas sobressaltarem e recuarem instintivamente. O homem travou no meio da frase, a cor esvaindo-se de seu rosto. Virei-me para olhar para ela, genuinamente sobressaltada. Seu olhar era sombrio, tempestuoso e aterrorizante. Eu nunca a tinha visto daquela maneira antes. Mas, por outro lado, ela nunca precisara adotar essa postura perto de mim. Na maior parte do tempo, ela sorria calorosamente, agia de forma brincalhona e gentil, a ponto de eu quase ter esquecido quem ela verdadeiramente era.
Aquela mulher não era apenas minha mãe; ela era a segunda pessoa mais rica do país, a chefe da família Jones.
— Como você se atreve? — Disse ela friamente.
— Quem você pensa que é para questionar a minha filha dessa maneira? — Seus olhos perfuraram o repórter.
— Está insinuando que ela não é minha filha?
O homem imediatamente começou a suar frio, balançando a cabeça com tanta força que chegava a ser doloroso de assistir.
— N-não, não foi isso que eu quis dizer, eu... eu...
Minha mãe não deu espaço para que ele se recuperasse. Ela se inclinou ligeiramente para a frente, sua mera presença sendo o suficiente para sufocar o ambiente.
— Está dizendo que estou errada? Que não reconheço a minha própria filha? — Sua voz caiu ainda mais de tom.
— Você por acaso quer morrer?
O repórter agora tremia visivelmente.
— Não! Claro que não! Eu não ousaria. Por favor, me perdoe.
O olhar afiado da minha mãe varreu a sala, e um por um, os repórteres baixaram a cabeça, sem coragem de sustentar o olhar dela. Ao meu lado, Theodore sorriu de lado, como se assistisse a uma cena muito divertida, claramente desfrutando de cada segundo. Soltei um suspiro baixo e me voltei para ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...