Ponto de vista de Grace.
"O Theodore quer você."
Olhei para Chase em total confusão.
Eu não conseguia compreender. Por que um ator superfamoso iria querer logo a mim como sua assessora pessoal de relações públicas? Não fazia o menor sentido. Mesmo que eu tivesse resolvido o caso daquela celebridade, isso isoladamente não significava que eu era algum tipo de gênio extraordinária.
Eu não estava me rebaixando, estava apenas sendo realista. Havia assessores de relações públicas muito mais experientes e qualificados no mercado. Pessoas que trabalhavam na indústria há anos, que saberiam como lidar com estrelas do calibre de Theodore sem o menor esforço. Então, por que alguém com a fama e o histórico familiar dele viria especificamente atrás de mim?
Lentamente, desviei meu olhar para Apollo. Seus olhos ainda estavam cravados em Theodore, e eu soube que ele estava pensando exatamente a mesma coisa. Ele também não entendia. O fato de alguém como Theodore me escolher a dedo não fazia sentido, e isso por si só já era suficiente para deixar Apollo em alerta máximo.
Olhei de volta para Theodore. Ele parecia completamente à vontade, recostado preguiçosamente em sua cadeira, com um sorriso de canto brincando nos lábios, como se toda aquela situação não passasse de mero entretenimento. Quando seus olhos cruzaram com os meus, seu sorriso se alargou e, inesperadamente, ele piscou para mim.
Pisquei de volta, sobressaltada.
Por instinto, olhei imediatamente para Apollo, e como esperado, o olhar dele escureceu ainda mais.
Será que era impressão minha ou ele estava fazendo aquilo de propósito? Parecia deliberado, como se estivesse cutucando uma fera perigosa apenas para ver o que aconteceria.
— Você deve estar querendo morrer. — Apollo disse, com a voz gélida.
Theodore inclinou a cabeça, totalmente imperturbável.
— Talvez. — Respondeu ele, dando de ombros.
— Mas eu me considero uma pessoa de muita sorte. Eu irrito meu irmão mais velho o tempo todo, ele me ameaça constantemente, e no entanto, aqui estou eu, vivinho da silva.
O maxilar de Apollo travou, a fúria faiscando em suas feições.
— Não me confunda com o seu irmão mais velho. — Disse ele, com a voz perigosamente baixa.
— Ao contrário dele, eu não hesitarei em me livrar de você.
Minha garganta secou. Assim como todas as outras pessoas na sala, engoli em seco, sentindo o estômago revirar.
Inclinei-me mais perto de Chase e sussurrei:
— Isso é normal? Eles podem simplesmente se ameaçar dessa forma no meio de uma reunião?
Chase limpou o suor da testa, exibindo um sorriso tenso.
— Devemos agradecer por ter sido o segundo irmão que veio. — Murmurou ele de volta.
— Se fosse o mais velho, o ar desta sala estaria impossível de respirar. Tenho certeza de que metade dos executivos já teria tido um ataque cardíaco com o quanto a atmosfera ficaria sufocante.
Eu não precisava que Chase me explicasse mais nada. Eu já tinha conhecido o primeiro irmão.
Entendia exatamente o que ele queria dizer.
Ryan Jones era um lunático. A primeira vez que o vi em um hospital, ele sequer se deu ao trabalho de puxar conversa fiada. Em vez disso, ele começou a me ensinar calmamente como golpear e nocautear um homem, como se aquele fosse o diálogo mais natural do mundo.
Com o quão complicado e imprevisível o irmão mais velho era, somado ao temperamento dominador e perigoso que Apollo assumia quando queria, eu tinha certeza de que permanecer em uma sala com os dois juntos seria absolutamente insuportável.
Olhei de relance entre Theodore e Apollo novamente; a tensão silenciosa se tornando mais espessa a cada segundo que passava, até que Chase falou de repente ao meu lado.
— Mas sabe de uma coisa? É meio esquisito.
Me virei para ele.
— O que é esquisito?
Ele estava me encarando agora, com uma expressão pensativa.
— Vocês dois meio que se parecem, você e o Theodore. — Disse ele devagar.
— Ele parece a versão masculina de você. E eu já vi o senhor Ryan antes também... você também se parece um pouco com ele. — Ele hesitou, então soltou uma risada sem jeito.
— Eu sei que soa estúpido, mas você, por acaso, tem algum tipo de parentesco com a família Jones?
Congelei.
Parentesco?
Isso era impossível, não havia a menor chance de eu ser parente da família Jones. Mas, ao mesmo tempo, eu não podia negar aquilo completamente. Eu mesma tinha notado a semelhança, e havia também aquela estranha sensação de familiaridade, aquele conforto inexplicável que eu sentia sempre que estava perto deles, algo que eu não conseguia justificar por mais que tentasse.
Ainda assim, não fazia sentido. Eu tinha crescido em um orfanato antes de ser adotada. Eu não era nenhuma herdeira rica perdida de uma família poderosa. Isso só acontecia em livros e novelas, não na vida real. Eu não queria permitir que meus pensamentos espiralassem para algo tão fantasioso.
Balancei a cabeça e olhei para Chase.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...