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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 179

Ponto de vista de Grace.

Eu nunca tinha entendido o ciúme.

Nunca entendi por que as pessoas ficavam possessivas ou irritadas quando alguém chegava perto demais do seu namorado ou da pessoa de quem gostavam. Por que se sentir ameaçada por algo que, na maioria das vezes, não significava absolutamente nada? Só porque alguém estava flertando com a pessoa que você gostava, não significava automaticamente que o sentimento era recíproco. Para mim, aquilo sempre pareceu inútil; um completo desperdício de energia gasto em insegurança em vez de confiança.

Eu não sentia ciúmes nem mesmo quando se tratava de Charles. Algumas mulheres flertavam com ele às vezes, e eu nunca dei a mínima. Talvez fosse porque o Charles nunca dava corda para mulheres, para começo de conversa. Ou talvez fosse pelo fato de ele ser gay. De qualquer forma, eu nunca tinha experimentado aquele aperto agudo e feio no peito de que todo mundo falava.

Eu genuinamente acreditava que não tinha um lado ciumento.

Então por que, por que diabos o meu coração estava martelando tão forte agora?

Por que meus dedos estavam esmagando a lateral da cadeira de novo, por que meu maxilar estava trancado e por que eu estava ativamente me segurando para não levantar, atravessar a mesa e dar um tapa naquele copo de café?

A percepção me deixou furiosa. Não com ela, mas comigo mesma. Eu estava irritada por me deixar abalar por algo tão pequeno.

Eu não gostava de ver outra mulher flertando com o Apollo. Não gostava do quão perto ela estava dele. Não gostava da expressão confiante que ela exibia ao fazer aquilo, e me odiava por me sentir assim por causa de um homem.

Que inferno.

A culpa era dele, de qualquer forma. Se ele não tivesse um rosto tão deslumbrante, talvez as mulheres não sentissem a necessidade de lhe trazer café e sorrir como se tivessem ganhado um prêmio só por estarem paradas ao seu lado. Se ele fosse um pouco mais feio, talvez o deixassem em paz.

— Grace? — Chase sussurrou, a preocupação estampada em seu rosto.

— Aconteceu alguma coisa com você? Está sentindo dor?

Virei-me para ele e forcei um sorriso, embora meus lábios parecessem rígidos, e assenti.

— S-sim. — Disse baixinho.

— Só estou cansada. Não dormi bem a noite passada.

Chase suspirou aliviado.

— Ah. Achei que fosse algo sério. Nunca te vi agir assim antes. Talvez você devesse ir para casa descansar, eu aviso o senhor Apollo sobre a sua ausência.

Balancei a cabeça imediatamente.

Não havia a menor chance de eu ir embora.

Era infantil, mas a simples ideia de ir para casa enquanto Katherine permanecia ali, parada ao lado de Apollo, sorrindo para ele e possivelmente flertando sem nenhuma barreira, deixava minha mente inquieta. Eu não teria paz.

— Estou bem. — Afirmei.

— Não se preocupe. Vou ficar.

Voltei minha atenção para a cabeceira da mesa.

Katherine continuava de pé ao lado de Apollo, com os olhos brilhando como se a mera proximidade com ele a fizesse feliz.

Olhei para Apollo.

Ele não estava olhando para ela.

Ele sequer moveu os olhos em direção ao café que ela havia colocado em sua frente. O copo permanecia ali, intocado e esquecido. Seu olhar estava fixo em Theodore, como se Katherine simplesmente não existisse no recinto.

Katherine não pareceu nem um pouco incomodada por ser ignorada por ele.

Pelo contrário, ela parecia ainda mais intrigada. A maneira como seus olhos o acompanhavam, o sorriso sutil em seus lábios... era quase como se, quanto mais ele desdenhava da existência dela, mais determinada ela ficava. Aquela percepção fez minha testa franzir ainda mais. Eu não gostava daquele sentimento rastejando pela minha espinha, e gostava menos ainda dela por provocá-lo com tanta facilidade.

A voz de Apollo cortou a sala.

— Onde você estava na semana passada?

Todas as cabeças se voltaram para Theodore. Era óbvio para quem a pergunta fora direcionada. Theodore arqueou uma sobrancelha devagar, um sorriso preguiçoso surgindo em seus lábios.

— Que pergunta intrigante, senhor Apollo. — Disse ele.

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