Ponto de vista de Apollo.
Me sentei à mesa com os braços cruzados, minha postura relaxada, deixando meu olhar cair brevemente sobre a comida cuidadosamente organizada antes de mudá-lo com indiferença para o outro lado do cômodo.
Grace estava lá, de pé ao lado da amiga, parecendo completamente perdida.
Ela acenava positivamente para o que quer que a amiga estivesse dizendo, com as sobrancelhas unidas em confusão e as mãos inquietas, como se tentasse se manter sã. Ela parecia sobrecarregada e incerta, como se não conseguisse processar direito tudo o que acontecia ao seu redor.
Me inclinei um pouco para trás na cadeira, deixando meus olhos se demorarem nela mais do que o necessário enquanto a estudava em silêncio.
Eu adorava quando ela reagia assim.
Sempre que estávamos perto, ela parecia dividida entre ficar e correr, como um coelhinho cauteloso pego entre o instinto e o desejo. Sempre procurando uma rota de fuga. Era divertido e cativante, porque não havia escapatória. Ela já havia sido capturada, só não tinha percebido ainda.
"Não consigo deixar de te amar."
As palavras dela ecoaram na minha mente. Meus lábios se curvaram ligeiramente em um sorriso satisfeito antes que eu pudesse me conter.
Quando soube que ela estava doente ontem, não hesitei nem por um segundo. Larguei tudo, ignorei reuniões que valiam milhões e vim para cá sem pensar nas consequências.
Isso não era do meu feitio.
Eu não era o tipo de homem que abandonava o trabalho por outra pessoa. Eu não visitava a casa das pessoas. Não ficava para o jantar. E no entanto, quando permaneci ao lado dela ontem, sentindo-a se agarrar a mim como se eu fosse a única coisa sólida em seu mundo, me senti realizado.
Um leve toque pousou no meu braço.
Afastei meus olhos de Grace e olhei para baixo, encontrando uma garotinha sentada ao meu lado, me encarando com uma expressão travessa demais para a idade dela. Seus olhos brilhavam de curiosidade enquanto ela abria um sorriso.
— Senhor bonitão. — Disse ela, radiante.
— Quem é você?
Ergui uma sobrancelha, levemente surpreso, mas não desagradado.
Antes que eu pudesse responder, ela inclinou a cabeça e acrescentou:
— Você é o namorado da tia Grace?
Eu fiz uma pausa.
Dois pares de olhos estavam fixos em mim agora. O garoto ao lado dela se inclinou para frente com entusiasmo, sua postura de repente competitiva. Ele franziu a testa, claramente insatisfeito com a ideia.
Ele apontou o polegar contra o próprio peito.
— Você não é, né? Porque a única pessoa que é o namorado da tia Grace sou eu.
Assisti à garotinha de repente balançar a mão e dar um tapa no braço do irmão.
— Ai, Liana! — O garoto resmungou, segurando o braço e encarando ela.
Ela revirou os olhos para ele com desdém.
— Não seja burro, Lucas. Você não é o namorado da tia Grace. Você é feio demais para ser o namorado da tia Grace. — Ela disse isso e depois se voltou para mim, estendendo a mão na minha direção como se apresentasse uma evidência inegável.
— Olha só para ele; ele é perfeito. É gato, lindo, rico e olha para a tia Grace. Ele é obviamente a pessoa perfeita para ser o namorado dela.
Lucas encarou-me por um longo momento, com a cabeça inclinada como se avaliasse seriamente o argumento dela. Então, assentiu solenemente.
— Você tem razão. Ele é perfeito para ser o namorado dela, ele faz o tipo da tia Grace.
Estudei os dois em silêncio. Sem dizer uma palavra, enfiei a mão no bolso e puxei minha carteira. Abri-a, peguei todas as notas que estavam dentro e as coloquei organizadamente sobre a mesa. Em seguida, puxei meu talão de cheques e uma caneta, escrevi um número sem hesitação e depositei o cheque ao lado do dinheiro.
Um milhão de dólares.
Ambas as crianças congelaram, com as bocas abertas enquanto encaravam a mesa.
— O-o que é isso? — Liana perguntou, sua voz de repente muito mais baixa.
Olhei para ela calmamente.
— Uma recompensa.
— Recompensa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...